EUA não cumprimentam Schroeder pela vitória na Alemanha

Num raro comportamento, os Estados Unidos ficaram em silêncio nesta segunda-feira diante do resultado das eleições gerais alemãs de domingo, que mantiveram os social-democratas no poder. Não houve o tradicional cumprimento de praxe ao vencedor, o chanceler Gerhard Schroeder, que durante a campanha eleitoral criticou a política militar do presidente norte-americano George W. Bush em relação ao Iraque.E para agravar a situação, Bush foi comparado a Hitler numa declaração atribuída na semana passada à ministra da Justiça alemã, Herta Daeubler-Gmelin (que se demitiu hoje). "Nada temos a dizer neste momento (sobre a vitória de Schroeder)", disse um porta-voz do Departamento de Estado. "São ordens". O funcionário admitiu ser este "um fato inusitado" - os Estados Unidos têm por tradição felicitar os eleitos em pleitos democráticos.VenenoEm Varsóvia, onde participa de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, responsabilizou o chanceler alemão por ter "envenenado as relações americano-alemãs em sua campanha eleitoral".O chefe do Pentágono repetiu críticas ao governo alemão que já haviam sido feitas pelo secretário de Estado, Colin Powell, e pela conselheira de Segurança Nacional, Condolleezza Rice. Espera-se que, uma vez reeleito, Schroeder adote um tom mais conciliador com Washington e torne mais flexível a posição sobre uma ação militar contra o regime de Saddam Hussein, pretendida pelos Estados Unidos com base em suspeitas de que o Iraque fabrica e armazena armas de destruição em massa - biológicas, químicas e até mesmo atômicas.Sem reconsideraçãoMas hoje pela manhã, o chanceler alemão não só reafirmou a oposição a um ataque militar ao Iraque como destacou que a Alemanha não enviará tropas àquele país nem mesmo no caso de as Nações Unidas apoiarem um ataque. "Já estabeleci a posição da Alemanha e não penso em reconsideração", disse o chanceler em entrevista a uma emissora de televisão.Contudo, o ministro das Relações Exteriores alemão, o verde Joschka Fischer, se comprometeu a trabalhar para "melhorar" as relações com a Casa Branca. "Os Estados Unidos são nosso mais importante aliado fora da Europa e faremos tudo para manter nossos vínculos em seus tradicionais e bons fundamentos", destacou, recordando o papel dos norte-americanos na "libertação da Alemanha do nazismo" bem como na posterior reunificação do país.HitlerPouco antes da entrevista, Schroeder havia aceito pedido de demissão da ministra da Justiça. A situação de Herta Daeubler-Gmelin ficou insustentável na quarta-feira depois das declarações atribuídas a ela, comparando Bush a Hitler. "Bush utiliza questões externas para desviar a atenção dos problemas domésticos. Esse é um método muito conhecido. Hitler o usava", teria dito a ministra durante encontro com líderes sindicais, segundo um jornal local. Ela se apressou a desmentir categoricamente.Daeubler-Gmelin acabou perdendo a eleição em seu distrito, Tuebingen, no Estado de Baden-Wuerttemberg, no sul da Alemanha, para o candidato da CDU/CSU.

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