Tony Gentile / REUTERS
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EUA não decidiram se vetarão resolução para Estado Palestino

Secretário de Estado americano, John Kerry, e premiê israelense, Ninyamin Netanyahu se reúnem na segunda-feira em Roma

O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2014 | 21h38

JERUSALÉM - Israel disse esperar que os Estados Unidos vetem todas as iniciativas nas Nações Unidas para estabelecer um prazo para a retirada do território que os palestinos buscam para fundar um Estado, mas um funcionário de alto escalão do governo americano disse que é muito cedo para afirmar o que vai ocorrer.

O secretário de Estado americano, John Kerry vai se reunir na segunda-feira, em Roma, com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, para discutir várias propostas de um Estado Palestino que estão circulando nas Nações Unidas.


Ainda na segunda-feira, Kerry viajará para Paris para conversas com parceiros europeus e, depois, para Londres. Ele se encontrará com o chefe das negociações palestino, Saeb Erekat, e uma delegação de chanceleres árabes na terça-feira e irá insistir para os Estados Unidos não usarem seu poder de veto do Conselho de Segurança da ONU para bloquear as propostas, disseram autoridades palestinas.

Negociações de paz mediadas pelos EUA com Israel, lideradas por Kerry, entraram em colapso em abril. Desde então, os palestinos têm feito esforços unilaterais na ONU para formar seu próprio estado na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza bloqueada por Israel, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Netanyahu, que está no meio da campanha para a eleição de março, também se reunirá com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi e Kerry. "Eu vou dizer a ambos que Israel está, em grande medida, como uma ilha solitária contra as ondas de extremismo islâmico atingindo todo o Oriente Médio", disse Netanyahu no domingo, em declarações públicas para o seu gabinete.

Ele disse que Israel enfrenta agora uma possível ofensiva diplomática "para forçar em cima de nós" uma retirada no prazo de dois anos. "Isso trará os elementos radicais islâmicos para os subúrbios de Tel Aviv e para o coração de Jerusalém. Não vamos permitir isso. Vamos repelir com vigor e de forma responsável. Que não haja dúvida, isso será rejeitado."

Os palestinos apresentarão na quarta-feira ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que estabelece um prazo de dois anos para que Israel ponha fim à ocupação, anunciou neste domingo um dirigente palestino. "A direção palestina decidiu recorrer ao Conselho de Segurança, a fim de que vote o projeto para que termine a ocupação", disse à agência France Presse Wasel Abu Yusef, dirigente da Organização de Libertação da Palestina (OLP), após uma reunião em Ramallah.

Os Estados Unidos poderiam vetar a iniciativa. Washington se opõe a qualquer medida unilateral dos palestinos para obter da ONU o reconhecimento de um Estado, por considerar que o mesmo deve ser resultado de negociações de paz. A chancelaria de Israel não comentou o assunto, na véspera de uma reunião, em Roma, entre o premier israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado americano, John Kerry.

Kerry chegou hoje a Roma para uma visita de três dias à Europa, onde discutirá a iniciativa dos países europeus para retomar na ONU o processo de paz entre israelenses e palestinos. Na terça-feira, ele conversará em Londres com o chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erakat, e o secretário-geral da Liga Árabe, que apoia o projeto de resolução palestino.

Se o projeto for rejeitado, a Autoridade Palestina anunciou que solicitaria a sua adesão a várias organizações internacionais, entre elas o Tribunal Penal Internacional (TPI), o que lhe permitiria solicitar ações legais contra autoridades israelenses, após três guerras sangrentas na Faixa de Gaza. / AFP e REUTERS

 

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