EUA não enviarão tropas para a Colômbia

O governo dos Estados Unidos descartou o envio de tropas de combate para a Colômbia, mas reiterou sua disposição de aumentar imediatamente a cooperação com as forças armadas colombianas na área de inteligência, e buscar outras formas para ampliar a assistência militar ao país. A decisão do presidente Andrés Pastrana de suspender as negociações com os guerrilheiros das Forças Armadas de Libertação da Colômbia (Farc), dar a ordem de retomada pela força do território que lhes havia concedido como santuário e classificá-los, pela primeira vez, de "terroristas", deu novo impulso, em Washington, aos que defendem o fim da diferenciação entre o combate ao narcotráfico e a luta contra a insurreição política. Essa distinção balizou até agora a ajuda de US$ 1,3 bilhão aprovada pelo Congresso, há um ano e meio, em apoio ao chamado Plano Colômbia. A maior parte da ajuda financiou um programa de dois anos de fornecimento de helicópteros para atividades de combate ao narcotráfico e o treinamento de dois batalhões do exército colombiano. O secretário de Estado adjunto para a América Latina, Otto Reich, descartou a possibilidade do envolvimento de tropas norte-americanas na guerra aberta que o governo de Bogotá trava, desde ontem, contra as Farc, no sul da Colômbia. "O governo da Colômbia não nos pediu e não achamos que isso seja necessário", disse Reich. Perguntado se antevia a possibilidade de uma ação militar dos EUA na Colômbia, o porta-voz do Conselho de Segurança da Casa Branca, Sean McCormack, desestimulou a idéia. "Temos em mente as restrições legais à nossa assistência, e as respeitaremos", disse ele, referindo-se à legislação que limita a 400 militares e 400 civis a presença norte-americana na Colômbia em conexão com o programa de assistência, e limita o uso dos cerca de cinqüenta helicópteros a operações relacionadas com o combate ao tráfico de drogas. O porta-voz do departamento de Estado, Richard Boucher, informou que, além de intensificar a assistência aos colombianos na área de inteligência, Washington está estudando "maneiras específicas para continuar a apoiar a Colômbia durante esse período de dificuldade". PowellEm Pequim, onde acompanhava o presidente George W. Bush, o secretário de Estado, Colin Powell, reiterou o apoio dos EUA à decisão de Pastrana de abandonar a estratégia de negociação com a guerrilha, que a atual administração sempre viu com ceticismo. Pastrana "demonstrou uma enorme paciência durante um longo período" em sua tentativa de trazer os guerrilheiros para a mesa de negociação, disse Powell. "Ele foi rejeitado e, finalmente, sentiu que não poderia continuar e que tinha a responsabilidade de defender o povo da Colômbia". O secretário de Estado disse que "compreendemos a decisão que ele tomou, e o apoiamos". "Não há dúvida que está havendo uma mudança no pensamento de Washington sobre a Colômbia", disse Michael Shifter, vice-presidente do Diálogo Interamericano e especialista em questões andinas. Segundo ele, a nova dinâmica criada na Colômbia pelo rompimento das conversações de paz levará o "o Congresso a reexaminar de forma mais favorável a ajuda ao país". Mas, segundo Shifter, "os congressistas também vão querer saber quais são os planos da administração Bush para aumentar a ajuda sem cair num declive escorregadio". As Farc e os dois grupos armados que operam na Colômbia - o Exército de Libertação Nacional, de esquerda, as Forças Unidas de Auto-Defesa, de direita - estão na lista de organizações terroristas do departamento de Estado. Mas não figuram no "eixo do mal", expressão que o presidente Bush usou para identificar o Iraque, o Irã e a Coréia do Norte como os alvos potenciais de uma ampliação da guerra que os EUA declararam ao terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro.

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