EUA não esperarão muito por proposta síria sobre armas químicas, diz Kerry

Para secretário de Estado, acordo terá implementação difícil e precisa ser 'mensurável e tangível'

CLÁUDIA TREVISAN - CORRESPONDENTE EM WASHINGTON,

10 de setembro de 2013 | 12h20

 WASHINGTON - O eventual acordo para transferência de armas químicas da Síria para a comunidade internacional tem que ser "real, mensurável e tangível" e terá uma implementação "extremamente difícil", afirmou nesta terça-feira, 10, o secretário de Estado americano, John Kerry, durante depoimento na Câmara dos Representantes. Mais cedo, o chanceler sírio, Walid al-Moualem, disse à agência estatal russa Interfax que o regime de Bashar Assad aceita a proposta russa para colocar suas armas químicas sob controle internacional e evitar um possível ataque militar dos Estados Unidos.

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"Nós estamos esperando por essa proposta, mas não vamos esperar por muito tempo", ressaltou, logo depois de voltar a defender que o Congresso autorize o presidente Barack Obama a iniciar uma ofensiva militar contra a Síria.

Segundo ele, russos e sírios só mostraram disposição de chegar a um acordo em torno do arsenal químico controlado por Bashar Assad depois da ameaça de uso da força pelos Estados Unidos.

Aparentemente sem querer, Kerry abriu a porta para que Moscou e Damasco sugerissem uma saída diplomática ao fazer um comentário "retórico e hipotético" durante entrevista coletiva em Londres na manhã de ontem, quando disse que Assad poderia evitar um ataque se abrisse mão de seu arsenal químico no prazo de uma semana.

Os russos embarcaram na sugestão e apresentaram proposta nesse sentido, que logo ganhou apoio da Síria. Segundo Kerry, Obama vai considerar seriamente a possível saída diplomática. "Ela tem que ser rápida, tem que ser real e tem que ser verificável. Não pode ser uma tática para ganhar tempo", ressaltou.

Em entrevista a Charlie Rose, da rede PBS, Assad disse que não poderia confirmar nem negar que seu regime possua armas químicas. Segundo ele, essa é uma informação militar estratégica e confidencial.

Assad equiparou armas químicas às armas nucleares e observou que ambas provocam destruição em massa e indiscriminada. E sugeriu que sua resistência em assinar convenção que bane armas químicas decorre do fato de que Israel possui armas nucleares.

Apesar de se declarar disposto a negociar uma saída diplomática, Obama manteve o pronunciamento à nação que fará hoje para defender a ação contra a Síria, na tentativa de obter apoio de um público cada vez mais hostil a uma saída militar para a crise. À tarde, o presidente irá ao Congresso para apresentar seus argumentos diretamente aos parlamentares, a maioria dos quais está inclinada a votar contra o pedido de autorização.

Se o acordo proposto pela Rússia for viabilizado, isso poderá livrar Obama de uma quase certa derrota, que teria implicações negativas sobre o seu prestígio político dentro e fora dos Estados Unidos.

Assista ao vídeo, em inglês, da fala de Kerry:

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