EUA não negam que estariam apoiando senhores da guerra somalis

Porta-vozes do governo americano admitiram nesta quarta-feira que os Estados Unidos estão trabalhando ao lado de "diversas pessoas" na Somália para impedir que a rede extremista Al-Qaeda se estabeleça no país africano, mas não responderam a questões sobre se senhores da guerra locais com exércitos privados estariam entre essas pessoas.O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, mencionou a ausência de governo na Somália e alegou que a rede liderada pelo milionário saudita no exílio Osama bin Laden aproveita-se de situações caóticas para estabelecer centros de treinamento de "terroristas" e preparar missões extremistas.A Somália situa-se a pouca distância de navegação do Golfo de Áden, no Iêmen, e da Península Arábica. No Departamento de Estado dos EUA, o porta-voz Sean McCormack disse que o governo americano "está trabalhando com membros da instituição federal de transição, assim como junto a outros entes responsáveis pelo espectro político somali", para impedir que "terroristas encontrem um refúgio seguro na Somália".Duas semanas atrás, o presidente do governo de transição da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, comentou na Suécia que acreditava em versões segundo as quais os EUA estariam, numa tentativa de conter o crescente poder de uma milícia islâmica, financiando os senhores da guerra - os mesmos que derrubaram a ditadura de Mohamed Siad Marre em 1991 e a seguir voltaram-se uns contra os outros, deflagrando uma guerra civil que tornou o país ingovernável desde então.Questionado sobre se os EUA realmente estariam apoiando os senhores da guerra, Snow foi cuidadoso e extremamente evasivo. "Existe instabilidade na Somália. Também existe o temor da presença de terroristas internacionais, especialmente a Al-Qaeda, dentro da Somália. Num ambiente de instabilidade, como vimos no passado, a Al-Qaeda pode se estabelecer e queremos assegurar que ela não entre na Somália", comentou.McCormack não foi mais esclarecedor. "Nós certamente desempenhamos esforços ao lado da comunidade internacional e do espectro político somali para garantir que a Somália não se transforme em um refúgio seguro para terroristas. Nós temos um verdadeiro interesse nos esforços de combate ao terrorismo na Somália", prosseguiu.Em 3 de maio, Yusuf Ahmed declarou em entrevista à Associated Press em Estocolmo que os americanos deveriam apoiar o governo e pedir aos senhores da guerra que cooperem com o governo. "Nós somos o governo legítimo da Somália e os ajudaremos a combater o terrorismo", assegurou.

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