EUA não planejaram futuro de presos de Guantánamo, afirma juíza

Ausência de plano que espefica como e onde presos cumprirão suas penas dificulta julgamentos

AP,

11 de agosto de 2010 | 18h14

GUANTÁNAMO, CUBA- Uma juíza americana afirmou nesta quarta-feira, 11, que as Forças Armadas dos Estados Unidos ignoraram um plano especificando como e onde os prisioneiros cumprirão suas penas após os veredictos do tribunal de crimes de guerra de Guantánamo.

 

A ausência de uma disposição escrita causou problemas na audiência do cozinheiro de Osama bin Laden, que se declarou culpado no mês passado por conspirar junto à Al-Qaeda e de apoiar o terrorismo.

 

O julgamento do sudanês Ibrahim al Qosi, que queria evitar cumprir sua sentença em reclusão solitária, também reavivou as frequentes críticas dos advogados dos acusados, de que as regras para os julgamentos de terrorismo na base naval da Bahia de Guantánamo são feitas durante o processo.

 

O acordo alcançado pelos defesa de Qosi permite que ele cumpra sua sentença no Campo Quatro, onde os presos vivem em comunidade sob menos restrições. As regras militares, no entanto, proíbem alojar criminosos condenados a outros detidos.

 

A juíza, a tenente coronel da Força Aérea Nancy Paul, disse que um secretário de Defesa assistente ordenou anos atrás que o Exército e o Comando Sul, que supervisiona a base de Guantánamo, desenvolvam um plano detalhado para alojar os presos logo após receberem sua condenação.

 

"Isso não foi cumprido", afirmou Nancy. A juíza acrescentou que a falta de uma medida ou um plano escrito era "especialmente perturbadora" porque há outro julgamento de um jovem canadense que pode terminar com uma condenação semelhante.

 

Segundo Nancy, o acordo de Qosi continua válido porque ele só incluía a recomendação de que o preso fosse alojado em um campo comunal, e não garantia que a medida fosse atendida efetivamente.

 

O acusado permanecerá no Campo Quatro durante 60 dias enquanto as Forças Armadas decidem onde ele cumprirá o resto de sua pena.

 

Qosi é o quarto prisioneiro condenado nos tribunais criados para julgar supostos terroristas após os ataques de 11 de setembro. Dois deles cumpriram penas curtas e foram devolvidos aos seus países, Austrália e Iêmen.

 

O outro preso condenado em Guantánamo é Ali Hamza al Bahlul, um iemenita que foi cinegrafista da Al-Qaeda e está cumprindo prisão perpétua em reclusão solitária por conspiração e entrega de material de apoio ao terrorismo.

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