EUA não querem discutir escravidão e sionismo

O governo dos Estados Unidos ameaçou hoje não participar da Conferência Mundial Contra o Racismo, caso as questões do pagamento de compensação pela escravidão, e a comparação de sionismo com racismo, estejam incluídas na agenda. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, o presidente George W. Bush disse aos organizadores que os EUA pretendem participar da conferência, mas criticou a inclusão de tais itens na agenda de discussões. Fleischer afirmou que a principal objeção de Bush é com relação à proposta sobre o sionismo, que pretende reviver uma resolução da ONU de 1975 que diz que o sionismo - a ideologia por trás da tentativa dos judeus de reconquistar sua terra bíblica - equivale ao racismo. Graças a uma agressiva oposição dos EUA e de Israel, a resolução caiu em 1991. Com relação à escravidão, Fleischer disse que os EUA também desistiriam de participar da conferência caso for incluída a discussão sobre o pagamento de compensação e um pedido de desculpas por parte de países que já adotaram um sistema escravocrata. Os países africanos exigem desculpas e reparações, mas algumas nações ocidentais - lideradas pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá - resistem à idéia. "Esta conferência deveria olhar para o futuro", disse Fleischer. A comissária dos direitos humanos da ONU, Mary Robinson, concorda com os argumentos de Bush e afirmou, segundo seu porta-voz, José Luis Diaz, que seria "uma pena" os Estados Unidos não participarem da conferência. No entanto, embora Robinson concorde que a compensação pela escravidão possa extrapolar a proposta da conferência, ela acredita que deve haver uma discussão sobre o tema. A Conferência Mundial Contra o Racismo começará em 31 de agosto, na cidade sul-africana de Durban. Segundo fontes do Departamento de Estado dos EUA, a participação de Washington dependerá dos resultados da conferência preliminar que começará segunda-feira, em Genebra. Desta reunião sairá a agenda oficial que será levada a Durban.

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