EUA não sabem onde está Bin Laden, admite Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush previu nesta segunda-feira que a captura de Osama bin Laden "é apenas uma questão de tempo". Mas o presidente norte-americano, que falou durante um encontro com crianças muçulmanas na Casa Branca no último dia do mês sagrado do Ramadan, admitiu que desconhece o paradeiro do saudita que considera responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro.Segundo ele, a Casa Branca tem recebido "todo tipo de relato" sobre Bin Laden. Mas deu um sinal de que considera razoáveis as chances de pegá-lo vivo, reiterando que o terrorista será levado à justiça "quando a poeria assentar".Um funcionário do Pentágono, envolvido no planejamento das ações militares norte-americanas no Afeganistão, disse ao jornal New York Times que "há apenas 50% de chances de que Bin Laden ainda esteja na região de Tora Bora", na fronteira do Paquistão, onde as forças norte-americanas e os aliados das milícias anti-Taleban conduzem as derradeiras batalhas da campanha militar no Afeganistão.O governo norte-americano evitou ecoar as declarações de vitória feitas no domingo por comandantes das forças anti-Taleban retornados de Tora Bora. Eles disseram que cerca de 200 membros da Al Qeada foram mortos e onze - incluindo um líder senior - foram presos.Com o principal objetivo da missão - a captura de Bin Laden, do líder do Taleban, mulá Mohammad Omar, e dos principais líderes da organização Al-Qaeda - ainda não realizado, Bush enfrenta agora a complexa tarefa de decidir as etapas seguintes da guerra contra o terrorismo.Embora haja intensa pressão dentro de setores da administração para Bush expandir a guerra ao Iraque, os passos mais imediatos da guerra dependem em grande medida da capacidade dos EUA de determinar onde estão Osama bin Laden e Mohammad Omar.Diante da reintegração de milhares de ex-combatentes do derrotado Taleban na população do Afeganistão nas últimas semanas, uma possível fuga de Osama e seu bando para o Paquistão coloca Washington diante da possibilidade, já admitida por altos funcionários, de ter que conduzir a próxima fase das operações num país onde há um forte sentimento antiamericano e que cujos líderes apenas recentemente converteram-se, aos olhos dos EUA, da condição de "delinqüente nuclear" em aliado na guerra contra o terror.Além da incerteza sobre o destino do vilão da história, a estratégia norte-americana continuará condicionada por eventos que Washington não controlam. Um problema imediato é o frágil equilíbrio interno no Afegenistão, onde os EUA reabriram hoje a representação diplomática, fechada desde 1989.O ataque na semana passada contra o Parlamento da Índia, que deixou 12 mortos, é outra fonte potencial de dores de cabeça para Bush. A conexão paquistanesa do atentado, revelada no fim da semana, ameaça exacerbar as tensões entre a Índia e o Paquistão e acrescentar um complicador para os EUA numa guerra que Bush terá dificuldade em dar por encerrada, especialmente se seguir a definição de vitória prevista pela nova doutrina militar que o governo proclamou na véspera dos atentados de 11 de setembro: "uma paz auto-sustentada e o estabelecimento do primado da lei".Leia o especial

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