EUA não têm fórmula pronta para questão venezuelana

Os Estados Unidos não têm uma fórmula pronta e trabalhará com o Brasil e os demais integrantes do grupo de apoio ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria, para ajudar a produzir o quanto antes uma solução pacífica e constitucional capaz de superar o grave impasse político na Venezuela."O importante, no momento, é produzir logo um acordo sobre o que fazer", disse hoje à Agência Estado o subsecretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon. Segundo ele, "as peças do quebra-cabeça são conhecidas, mas falta saber como elas se encaixarão".O diplomata americano afirmou que a solução passará pelo atendimento das preocupações dos dois lados. "Do lado do governo, as preocupações incluem o encerramento da greve e o papel dos meios de comunicação" num novo processo eleitoral constitucional. "Do lado da oposição, os temas são a segurança e eleições".Shannon, que falou sobre a crise venezuelana, hoje, na Universidade George Washington, elogiou a iniciativa dopresidente Luiz Inácio Lula da Silva de organizar um grupo deapoio aos esforços de mediação de Gaviria diante de uma platéiaonde havia vários membros da oposição, que desaprovaram oenvolvimento brasileiro. "O Brasil trabalhou duro paradesenvolver essa idéia e desempenhou um papel especial naformação desse grupo de países, que, do nosso ponto de vista, émuito importante", disse Shannon. "Somos reconhecidos aoBrasil por ter proposto essa idéia".O alto funcionário americano disse que, com o retorno de Gaviria a Caracas, hoje, os detalhes operacionais sobre o grupo de países amigos da Venezuela começarão a ser discutidos pelos governos participantes. Além do Brasil e dos EUA, estão no grupo o México, Chile, e, como observadores, Espanha e Portugal.O governo americano evitou comentar hoje declarações do presidente Hugo Chávez, segundo as quais ele não aceitará soluções que legitime "golpistas". Embora já tenha deixandoclara suas preferência por uma solução que envolva uma aceleração do calendário eleitoral para antes de agosto, quandoa constituição venezuelana permite um referendo revogatório domandato de Chávez, a administração Bush parece inclinada agora a respaldar uma solução que inclua um processo eleitoral emagosto. Essa saída conta com o respaldo do Chile, do México e doBrasil."Não podemos esperar sete meses", disse hoje Omar Garcia-Bolívar, que dirige, em Washington, a Coordenadori Internacional Venezuelana, um dos grupos da dividida oposição a Chávez. "Em sete meses, podemos ter uma guerra civil". Mas nenhuma das alternativas propostas por ele - a renúncia imediata de Chávez ou o encurtamento do mandato presidente pela Assembléia Nacional chavista - é viável. O seminário de hoje na Universidade de Geroge Washington foi ilustrativo da crise venezuelana: chavistas e anti-chavistas passaram quase duas horas falando sobre o passado e trocando acusações, mas não apresentaram nenhuma idéia construtiva nem demonstraram qualquer disposição ao compromisso.

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