EUA não têm provas provas sobre armas, diz Bagdá

Enquanto EUA e Grã-Bretanha continuam enviando tropas e equipamento bélico para a região do Golfo, o jornal Babel, de Uday Hussein - filho de Saddam ? disse hoje não acreditar que Washington e Londres tenham informações secretas sobre armas iraquianas de destruição em massa e o governo iraquiano convidou hoje (22) os EUA a enviarem funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA) ao país para apontar locais onde estariam essas armas.Washington e Londres dizem ter provas consistentes de que o Iraque as possui e afirmam estarem dispostos a ir à guerra para obrigar Bagdá a cumprir com as resoluções de controle de armas da ONU."Todo o mundo sabe que, se tivessem informação concreta (os EUA e a Grã-Bretanha) as teriam apresentado pela televisão ao mundo todo antes de entregá-las às equipes de inspetores", disse o Babel num editorial em sua primeira página. Ao mesmo tempo, em uma entrevista coletiva à imprensa em Bagdá, o conselheiro presidencial Amir al-Saadi, um dos cientistas do programa de armas do Iraque, disse que "estamos prontos para lidar com cada uma das questões que nos apresentarem"."Nós nem mesmo fazemos objeções a que a CIA envie alguém junto com os inspetores (da ONU) para mostrar a eles onde estão os locais suspeitos."A iniciativa é a primeira grande contra-ofensiva do presidente Saddam Hussein para contestar acusações britânico-americanas de que o Iraque ainda mantém um programa de armas de extermínio e enviou ao Conselho de Segurança da ONU uma declaração fraudulenta sobre esse arsenal.Al-Saadi rebateu várias das críticas feitas na semana passada pelo secretário americano de Estado, Colin Powell, e o chanceler britânico, Jack Straw, sobre "falhas" e "omissões" no relatório. "Nós entregamos toda a documentação em nossas mãos. Não temos mais nada." Também garantiu que o país vai encaminhar ao chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, nomes de cientistas envolvidos no programa armamentista, atendendo a um pedido formal dele.O assessor de Saddam negou que seu país tenha tentado adquirir urânio da África do Sul ou do Níger (como acusam os EUA). Ele disse já ter informado a Blix e à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em novembro, que o Iraque procurou comprar óxido de urânio (a forma mineral) do Níger. O óxido de urânio pode ser usado, após enriquecimento, em reatores nucleares. Para uma bomba, teria de ser purificado e transformado num gás.Quanto à acusação dos EUA de que o país produziu o mortífero gás VX, Al-Saadi insistiu em que essas alegações são baseadas em dados de uma equipe de inspetores da ONU no início dos anos 90, chefiada pelo australiano Richard Butler e acusada pelo Iraque de manipular informações. Segundo Al-Saadi, o Iraque de fato tentou produzir o VX em 1990, mas os ingredientes se deterioraram e as tentativas foram abandonadas.Ainda hoje, soldados americanos envolvidos em gigantescas manobras de suas forças no Kuwait rezaram pelo jornalista Patrick Bourrat, da TV francesa, morto ontem enquanto cobria as manobras. A Embaixada França no Kuwait informou que o jornalista da emissora TF-1 "morreu às 2h00 (hora local). Um de seus braços foi destruído por disparos e ele sofreu também ferimentos em um rim", indicou o porta-voz da legação diplomática.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.