EUA não vêem progresso em conversas com a Coréia do Norte

Representantes dos Estados Unidos e da Coréia do Norte realizaram, nesta terça-feira, conversas cara a cara para discutir o polêmico programa nuclear de Pyongyang e os supostos crimes econômicos praticados pelo o Ocidente contra o regime comunista. O objetivo é destravar as negociações acerca do desarmamento dos norte-coreanos. Mas autoridades americanas não deram indicações de que houve avanços significativo após o segundo dia da última rodada de conversas sobre o desarmamento. As negociações envolvem seis países - China, Japão, Rússia, Coréia do Sul, Coréia do Norte e EUA. Em mais de três anos de reuniões, as negociações falharam em evitar que os norte-coreanos avançassem no desenvolvimento de seu programa nuclear. No acontecimento mais recente, o regime comunista explodiu seu primeiro artefato atômico no dia 9 de outubro. "Realmente não temos avanços para relatar", disse o principal enviado dos EUA, o vice-secretário de Estado, Christopher Hill. Contundo, segundo a agência Reuters, Hill afirmou a jornalistas que "houve uma discussão muito mais substancial", acrescentando que "Houve certamente uma disposição de ouvir e abordar algumas das nossas idéias". A Coréia do Norte entrou nas conversas desta semana reapresentando sua longa lista de exigências, que desta vez foi reforçada por um pedido para que seja considerada uma potência nuclear - levantando dúvidas sobre uma resolução para o impasse que começou no fim de 2002.Hill disse que as negociações enfrentam o desafio internacional de provar que os cinco parceiros envolvidos - China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e EUA - serão capazes de convencer o país comunista a se desarmar. "Precisamos estabelecer credibilidade [...] e mostrar que, na verdade, isso pode nos levar à nossa meta, pois não podemos aceitar nada menos do que a total ´desnuclearização´", disse o enviado. Não foi estabelecida uma data para o fim das negociações, mas Hill acrescentou, "Eu realmente quero quer ver algo realizado nesta semana". Retomada das conversasO processo acaba de ser retomado, após mais de um ano de suspensão, ocorrida numa reação da Coréia do Norte a restrições dos EUA contra supostos crimes financeiros do regime comunista. Em outubro, a Coréia do Norte testou armas nucleares pela primeira vez, atraindo sanções da ONU, mas o regime norte-coreano parece disposto a abandoná-las em troca de ajuda e garantias de segurança.O negociador japonês, Kenichiro Sasae, manteve a esperança de alguma flexibilidade nos próximos dias, mas alertou que a posição norte-coreana continua muito distante da dos demais. "A esta altura não posso dizer nada otimista. Mas espero que a Coréia do Norte responda de forma mais positiva amanhã", disse Sasae a jornalistas.Mesmo a China, sempre pronta a apontar progressos nas negociações que recebe desde 2003, admitiu diferenças, "algumas bastantes claras, e algumas disputas bastante agudas", no dizer de Qin Gang, porta-voz da chancelaria.Uma delegação do Departamento do Tesouro dos EUA se reuniu separadamente durante três horas com autoridades bancárias da Coréia do Norte para discutir as restrições impostas por Washington contra supostas atividades de falsificação de dólares e narcotráfico por parte de Pyongyang.Daniel Glaser, que chefia essa delegação norte-americana, disse que o encontro foi "uma boa oportunidade para uma troca inicial de opiniões". Segundo ele, será necessário "um processo de longo prazo, pelo qual trabalharemos para tratar de todas as preocupações fundamentais subjacentes". Uma nova reunião está marcada para quarta-feira.Outros enviados sugeriram que a Coréia do Norte pode reduzir suas exigências nos próximos dias. O sul-coreano Chun Yung-woo disse que a longa lista apresentada pelo Norte era um recurso previsível para que o regime reforçasse sua posição de negociação, e não uma oferta final.

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