EUA negam existência de 'base de espionagem' no Brasil, diz Patriota

Ministro de Relações Exteriores do Brasil participa de reunião no Senado sobre suposta ação americana

Lu Aiko Otta - Brasília,

10 de julho de 2013 | 17h00

(Atualizada às 18h50) BRASÍLIA - As autoridades dos Estados Unidos negaram ter instalado uma "base de espionagem" em Brasília, como tinha informado o jornal O Globo, ao publicar documentos do ex-agente da CIA Edward Snowden, afirmou nesta quarta-feira, 10, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O responsável da diplomacia brasileira disse, durante audiência pública no Senado, que o embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon, negou que os EUA tivessem usado uma base no Brasil ou tivessem o apoio de empresas brasileiras para serviços de espionagem.

Shannon "reconheceu", segundo Patriota, que os serviços de espionagem americanos, atuando de seu próprio território, registraram dados de comunicações telefônicas e cibernéticas de cidadãos brasileiros. Esses dados consistem em números de telefone, data, horário e duração das chamadas e o tráfego de e-mails, mas não seu conteúdo.

O ministro disse que os esclarecimentos dados até agora pelos EUA "não são suficientes" e antecipou que o Brasil "irá além do protesto inicial" realizado no domingo passado e deve denunciar o caso perante as Nações Unidas. Patriota não descartou coordenar uma resposta com outros países que foram espionados.

O chanceler também declarou que não exclui a "hipótese" de interrogar Snowden, autor do vazamento sobre o caso de espionagem, uma vez que sua declaração seria "absolutamente relevante e pertinente".

Para Patriota, a reunião de cúpula do Mercosul, que começa nesta quinta-feira, pode ser uma oportunidade para países da região discutirem as denúncias de espionagem. Segundo ele, a violação de telefonemas e de dados viola diversos acordos internacionais.

Patriota citou o pacto internacional sobre direitos civis, que garante, no artigo 17, que correspondências transitarão pelos países sem serem violadas. A espionagem seria também um "flagrante desrespeito" à Convenção de Viena, que prevê sigilo em correspondência diplomática.

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, o País está "na infância" em temas como segurança cibernética. "As vulnerabilidades existem e são muitas."

Amorim ressalvou que o Brasil não está sozinho nessa situação. O próprio ministro da Defesa dos Estados Unidos, disse ele, reconheceu o risco de seu país viver um "Pearl Harbor cibernético". Países europeus, como a Alemanha, foram igualmente pegos de surpresa pela dimensão do suposto monitoramento de seus dados.

Segundo o ministro, o sistema brasileiro é frágil porque os softwares de segurança são todos estrangeiros. "Meu computador, por exemplo, eu aperto um botão e ele deve ligar direto na Microsoft. E sou ministro da Defesa". Amorim defende o desenvolvimento de equipamentos e programas brasileiros./ EFE

 
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