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EUA negam papel de centro de estudos americano em golpe na Turquia

Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que 'teorias da conspiração' e 'retórica inflamatória' não ajudam na relação entre os dois países; teoria sobre papel do centro de estudo foi divulgada por dois jornais pró-Erdogan

O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2016 | 11h58

WASHINGTON - Os Estados Unidos advertiram na terça-feira, 9, que a retórica antiamericana e as "teorias da conspiração" são negativas para a relação com a Turquia, depois que a imprensa turca acusou um centro de estudos americano, o Wilson Center, de estar por trás da tentativa de golpe de Estado em julho.

Uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington expressou a Ancara sua preocupação pelas acusações contra o Wilson Center, que há vários dias ressoam na imprensa turca. "Estes tipos de teorias da conspiração, de retórica inflamatória, não ajudam em absoluto (à relação). Falamos com nossos colegas turcos sobre isso", disse Elizabeth Trudeau em sua entrevista coletiva diária.

Os jornais pró-governo "Yeni Safak" e "Aksam" acusaram o diretor do programa de Oriente Médio no Wilson Center, Henri Barkey, de estar por trás do golpe fracassado do último dia 15 de julho na Turquia, como agente secreto da CIA.

As acusações tem como base o fato de que, quando aconteceu a tentativa de golpe, Barkey estava em uma ilha perto de Istambul em reunião com outros acadêmicos, o que foi considerado pelo "Yeni Safak" um "encontro secreto" destinado a promover o levante.

O Wilson Center, uma prestigiada organização não partidária inaugurada em 1968, rejeitou as acusações e alegou que o encontro estava destinado a conversas sobre as relações do Irã com seus vizinhos um ano depois da assinatura do acordo nuclear.

"Não houve nada clandestino ou sinistro sobre a conferência, que reuniu especialistas em Irã, Turquia e Oriente Médio", escreveu hoje Haleh Esfandiari, uma companheira de Barkey no Wilson Center, no site do centro de estudos, acrescentando que a reunião tinha começado a ser organizada em dezembro.

"A Turquia contraiu a paranoia do Irã", declarou Esfandiari, ao assegurar que, como no país persa, "as interações normais entre acadêmicos na Turquia estão sendo pintadas como parte de um complô dos EUA para aumentar sua influência e derrubar regimes".

As relações entre Washington e Ancara se debilitaram depois da tentativa de golpe, dado que o governo de Recep Tayyip Erdogan acusa pela tentativa de golpe seu adversário político o clérigo Fethullah Gulen, autoexilado nos EUA.

O ministro de Justiça turco, Bekir Bozdag, advertiu que os Estados Unidos "sacrificarão" as relações com a Turquia se não extraditarem Gulen, como solicitou o governo turco. Perguntada a respeito, a porta-voz do Departamento de Estado se limitou a indicar que Washington está examinando a solicitação de extradição de acordo com o tratado bilateral sobre o tema e que esse processo será "técnico" e não estará guiado pela "emoção ou retórica política". / EFE

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