EUA negam que 147 civis tenham morrido no Afeganistão

Moradores fizeram lista com vítimas de bombadeio em 2 vilarejos; militares afirmam que números são exagerados

Agências internacionais,

08 de maio de 2009 | 09h03

Militares norte-americanos disseram nesta sexta-feira, 8, que os relatos de que 147 civis morreram nos confrontos envolvendo forças dos Estados Unidos e o Taleban são "extremamente exageradas" e que os investigadores continuam analisando os dados coletados nos locais. Segundo eles, descobertas preliminares de investigadores afegãos e norte-americanos sobre os mortos nas vilas de Ganjabad e Gerani, no oeste da província de Farah, podem ser divulgadas nesta sexta-feira, mas não há previsão exata.

 

Veja também:

especialEspecial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão 

 

Um funcionário local disse ter listado, com base em informações de moradores locais, os nomes de 147 pessoas mortas durante os confrontos de segunda-feira à noite e terça-feira. Se os dados estiverem corretos, esse terá sido o pior caso de mortes de civis no Afeganistão desde a invasão de 2001 liderada pelos Estados Unidos com o objetivo de depor o regime do Taleban.

 

"Os investigadores acham que esses números são extremamente exagerados", disse a porta-voz militar Elizabeth Mathias. "Definitivamente, não estamos nem perto dessas estimativas". Mathias disse que ainda não pode fornecer estimativas sobre quantas pessoas morreram.

 

O governador de Farah, Yunus Rasooli, afirmou que os moradores de Geraani fizeram uma lista de 90 nomes, e os residentes da cidade vizinha de Ganj Abad forneceram outros 57 nomes de pessoas que estariam mortas. Os dois vilarejos foram atingidos por aviões durante um combate em um outro vilarejo próximo no início desta semana. Funcionários norte-americanos sugeriram que pelo menos algumas das mortes foram causada por insurgentes, a quem os militares acusam de usar civis como escudos humanos quando enfrentam suas forças.

 

Inquérito

 

O The New York Times e a CNN disseram que uma investigação preliminar sobre o incidente mostrou que os bombardeios aéreos dos EUA resultaram nas mortes de civis no oeste do Afeganistão. A polícia afegã denunciou que mais de 100 pessoas - sendo cerca de 70 civis - foram mortas nos ataques e nos combates em solo no distrito de Bala Buluk, na província de Farah, na noite de segunda-feira. Entre os mortos havia crianças e idosos, disseram os policiais.

 

O coronel Gregory Julian, porta-voz das forças norte-americanas no Afeganistão, não confirmou as conclusões do relatório, mas disse que "é sempre lamentável quando civis são mortos". De acordo com Julian, o Taleban tem usado posições civis para se esconder dos ataques dos EUA e das tropas da coalizão. "(Vítimas civis) são sempre uma possibilidade quando se conduz uma atividade de contrainsurgência", declarou. "Estamos aqui para proteger a população civil e vamos levar isso muito a sério", afirmou o coronel. "A última coisa que queríamos que tivesse acontecido é que civis inocentes fossem feridos ou mortos."

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.