EUA negam que lei permitirá execuções em Guantánamo

O Pentágono negou nesta terça-feira que uma recente mudança nas regras do Exército sobre execuções permita a eliminação de suspeitos de terrorismo na base dos EUA de Guantánamo, em Cuba. "A revisão das regras do Exército não tem nada a ver com os procedimentos na base de Guantánamo", disse uma fonte do Departamento de Defesa à agência de notícias EFE.Segundo normas anteriores, execuções de pessoas na custódia do Exército poderiam ser realizadas no centro de detenção de Fort Leavenworth, no Kansas. As novas regras, aprovadas na semana passada, permitem que esse castigo seja realizado em outros lugares.A mudança preocupa os que se opõem à pena de morte, uma vez que pode funcionar como autorização para a realização de execuções em Guantánamo. "Suspeito que isto tem a ver com as pessoas que estão em Guantánamo. Talvez estejam mudando o caminho burocrático", disse Richard Dieter, porta-voz do Centro de Informação sobre a Pena de Morte.No entanto, outra fonte do Pentágono esclareceu que as novas normas se aplicam a réus que esperam nos "corredores da morte" dos EUA e não afeta centros de detenção no exterior, como o de Guantánamo. Dez detidos nessa base estão sendo processados em tribunais militares especiais antiterroristas, mas os promotores não pediram a pena de morte para nenhum deles. Cerca de 500 supostos terroristas estrangeiros estão detidos de forma indefinida em Guantánamo. As novas regras afetarão diretamente os militares americanos que forem condenados à morte em cortes marciais nos EUA. Neste momento há oito soldados nos corredores da morte: seis são negros, um branco e um de origem asiática. A última execução de um militar aconteceu em 13 de abril de 1961, quando o soldado raso John Bennett foi enforcado pelo estupro e tentativa de assassinato de uma menina austríaca de 11 anos em 1955.Embora as novas normas tenham sido estabelecidas pelo Exército, serão aplicadas também à Marinha e à Força Aérea. Segundo elas, o presidente dos Estados Unidos deverá aprovar qualquer execução e corresponderá ao Secretário do Exército decidir onde esta acontecerá. EFE

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