EUA negam que russos tenham sobrevoado Guam

Pentágono diz que bombardeiros estavam a 490 quilômetros da ilha e não foram interceptados

Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O Pentágono negou ontem que bombardeiros russos tenham sobrevoado a base militar da Ilha de Guam, no Oceano Pacífico. As declarações desmentem as informações divulgadas pelo major Pavel Androsov, comandante das operações de longo alcance da Força Aérea russa, que havia afirmado que dois aviões TU-95 teriam realizado exercícios militares na região na quarta-feira. As operações, segundo Androsov, eram comuns durante os anos de Guerra Fria. O comandante russo disse ainda que os pilotos americanos rastrearam os bombardeiros e pilotos dos dois países "trocaram sorrisos", antes de os russos voltarem para a casa.De acordo com fontes do Pentágono, de fato dois aviões russos foram detectados pelos radares da base militar voando ao sul da ilha, mas não chegaram perto o suficiente para que caças americanos pudessem interceptá-los."Forças americanas estavam preparadas para interceptar os bombardeiros, mas eles nunca chegaram suficientemente perto de nenhum navio da Marinha dos EUA ou de nossa base em Guam para que pudéssemos realizar uma interceptação ar-ar", disse o comandante Chito Peppler, porta-voz do Pentágono.Outra autoridade do Departamento de Defesa afirmou que os bombardeiros russos estavam a cerca de 490 quilômetros de Guam e a 160 quilômetros dos caças americanos mais próximos.As duas versões contraditórias para o mesmo fato ocorrem em meio à deterioração das relações entre EUA e Rússia, causadas por uma política externa mais agressiva por parte do Kremlin, que tenta evitar a expansão da Otan na direção das ex-repúblicas soviéticas e pelos países da Europa Oriental. Para muitos analistas, a retomada de antigos hábitos da Guerra Fria por parte da Rússia seria uma forma de mostrar que o país está de volta ao jogo de poder mundial. Além de ameaçar retirar-se de vários tratados de não-proliferação, Moscou vem irritando a diplomacia americana ao não apoiar a independência de Kosovo, como querem os EUA, ao endurecer sua política energética - transformando a Europa em refém do gás russo - e ao opor-se à instalação de um escudo antimíssil na Polônia e na República Checa.

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