EUA negociam acordo para ocupação indefinida do Iraque

É o que afirma o jornal britânico The Independent, que cita documento sobre acordo secreto

Efe

05 de junho de 2008 | 04h57

O Governo dos Estados Unidos negocia um acordo secreto pelo qual se prolongaria indefinidamente a ocupação militar do Iraque, independente de quem vença as próximas eleições para a Casa Branca. É o que afirma nesta quinta-feira o jornal britânico The Independent, que cita detalhes da minuta do documento, que poderia ter um efeito político explosivo no país árabe.   Os funcionários iraquianos temem, segundo o Independent, que o acordo, que permitiria aos Estados Unidos ocupar bases permanentes no país, realizar operações militares, deter os iraquianos e gozar de imunidade frente às leis do Iraque, "será uma fonte interminável de conflito".   O acordo ameaça também originar, segundo o periódico, uma crise política nos Estados Unidos. O presidente americano, George W. Bush, quer que o tratado seja firmado antes do fim do próximo mês, para poder declarar uma vitória militar no Iraque e poder afirmar que a invasão que realizou em 2003 "foi mais do que justificada".   Mas ao perpetuar a presença americana no Iraque, um acordo desse tipo minaria o compromisso do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, de retirar as tropas americanas do país caso seja eleito presidente.   O acordo poderia, por outro lado, reforçar o candidato republicano, John McCain, que prediz que a vitória no Iraque está próxima, e acusa seu rival Obama de querer botar tudo a perder com uma retirada militar prematura. O ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani disse na quarta-feira,4, que um acordo desse tipo daria lugar à "ocupação permanente" do Iraque e "transformaria os iraquianos em escravos dos norte-americanos".   Segundo o Independent, acredita-se que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, se oponha pessoalmente ao novo acordo, mas considere ao mesmo tempo que seu Governo de coalizão não resistirá sem o apoio de Washington.

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