EUA: NRA defende policiais armados nas escolas

O mais poderoso lobby de defesa do direito da posse de armas nos Estados Unidos, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) quer enfrentar a violência com a presença de policiais armados em cada escola do país. Apesar do forte esquema de segurança durante o pronunciamento do vice-presidente executivo do grupo, Wayne LaPierre, pelo menos dois homens invadiram o local, acusando o NRA de "matar nossas crianças".

AE, Agência Estado

21 de dezembro de 2012 | 16h13

A declaração foi feita exatamente uma semana após um jovem ter matado a tiros 26 pessoas numa escola de Connecticut, dentre elas 20 crianças de 6 e 7 anos. Nesse período houve um aumento da pressão em Washington e no restante do país para que sejam tomadas medidas contra a violência ligada às armas.

"A única coisa que para uma má pessoa com uma arma é uma pessoa boa com uma arma", afirmou LaPierre.

Pelo menos dois manifestantes invadiram o local onde LaPierre fazia seu comunicado. Um deles abriu uma grande faixa vermelha na qual lia-se "O NRA está matando nossas crianças". Os manifestantes foram retirados do local por seguranças, enquanto gritavam que o problema de segurança não pode ser resolvido com a colocação de armas nas escolas.

Os 4,3 milhões de membros da NRA podem estar enfrentando seu mais duro desafio após o ataque da semana passada. LaPierre disse que "o próximo Adam Lanza", o jovem de 20 anos que atacou a escola Sandy Hook, em Newtown, pode estar planejando o ataque a um outro estabelecimento de ensino neste momento. Segundo o grupo, o fato de as escolas não contarem com seguranças armados as tornam os locais perfeitos para sofrer ataques.

"Nós nos preocupamos com nosso dinheiro, então o protegemos em bancos com guardas armados. Os aeroportos, prédios de escritório, usinas de energia e tribunais, e até mesmo os estádios esportivos, todos são protegidos por seguranças armados", declarou LaPierre. "Nos preocupamos com o presidente, então o protegemos com agentes do serviço secreto. Os membros do Congresso trabalham cercados por oficiais armados no Capitólio."

No entanto, para o NRA, "no que diz respeito aos mais amados, inocentes e vulneráveis membros da família americana - nossas crianças - nós, como sociedade, os deixamos completamente indefesos", afirmou LaPierre.

O vice-presidente do grupo disse que não é necessária a implementação de uma legislação para o controle de armas, afirmando que "outras 20 mil leis fracassaram". Em vez disso, ele responsabilizou os videogames, filmes e músicas violentos pela exposição das crianças a uma cultura violenta.

Ele também responsabilizou a mídia, dizendo que os meios de comunicação "demonizam proprietários de armas que estão dentro da lei" e "recompensam os atiradores dando a eles ampla atenção".

LaPierre tentou explicar o silêncio do NRA, que só na quinta-feira divulgou um comunicado a respeito das mortes, afirmando que "enquanto alguns tentaram explorar a tragédia com objetivos políticos, nós nos mantivemos em silêncio respeitoso". O grupo retirou temporariamente do ar sua página no Facebook e não se pronunciou no Twitter durante vários dias.

Ele também anunciou que o ex-deputado Asa Hutchison vai liderar um programa do NRA para o desenvolvimento de um modelo de segurança para escolas que decidirem aceitar voluntários armados. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
EUAcontrole de armasNRA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.