EUA, ONU e UE se dizem decepcionados com fim de moratória

Retomada de construção de assentamentos é considerada ameaça para diálogo de paz

estadão.com.br

27 de setembro de 2010 | 14h36

NOVA YORK - A moratória que paralisava a construção de novos assentamentos israelenses na Cisjordânia terminou no domingo, fazendo com que nesta segunda-feira, 27, a expansão das colônias fosse retomada e que países e entidades internacionais se mostrassem decepcionados com o fim da medida, que era vista como uma garantia para o andamento das negociações de paz entre Israel e os palestinos.

 

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Os EUA, país que trabalhou pela retomada do diálogo e atualmente aruá como mediador, se declararam decepcionados com o fim da paralisação. O porta-voz do Departamento de Estado americano, P.J. Crowley, disse que o enviado do país ao Oriente Médio, George Mitchell, estava em contato com palestinos e israelenses e que uma equipe visitaria a região para mais conversas.

 

"Reconhecemos que dada a decisão do domingo, ainda temos um dilema a resolver e não há negociações diretas agendadas neste momento. Mas estaremos em contato com as partes para ver como seguiremos em frente", disse o porta-voz.

 

Crowley, porém, reiterou que os EUA esperam que a Liga Árabe siga apoiando o diálogo de paz mesmo com a não renovação da moratória. "Nós conversaremos com outros países nos próximos dias e esperamos que a reunião com a Liga Árabe continue a reafirmar o apoio ao processo", disse.

 

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, também lamentou que Israel não tenha prorrogado a moratória às atividades de construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, apesar dos pedidos da comunidade internacional para que o fizesse.

 

"O secretário-geral está decepcionado por não ter havido uma decisão e preocupado com as provocações que estão ocorrendo na região", disse em declaração o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky.

 

O porta-voz transmitiu o apoio de Ban aos esforços em andamento na região para evitar que o fim da moratória detenha o processo de paz que israelenses e palestinos retomaram no último dia 2. Nesirky ainda lembrou que o Quarteto para o Oriente Médio (EUA, Rússia, União Europa e a ONU) tinha solicitado a Israel que prorrogasse a moratória.

 

Além disso, ele ressaltou a posição das Nações Unidas de que a construção de colônias judaicas em território palestino ocupado, inclusive em Jerusalém Oriental, é ilegal de acordo com o direito internacional. Por isso, pediu ao governo israelense que cumpra com sua obrigação de congelar os assentamentos.

 

A chefe de diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, também se mostrou descontente com a decisão de Israel de não renovar o congelamento. Ela disse ter "lamentado" a medida e lembrou que o órgão europeu pediu repetidamente nas últimas semanas que a moratória fosse renovada para não prejudicar o diálogo com os palestinos.

 

A construção de assentamentos é vista como um enclave nas negociações diretas de paz recém retomadas entre palestinos e israelenses. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse várias vezes que poderia deixar o diálogo caso Israel retomasse a expansão das colônias.

 

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por sua vez, pediu no domingo que os palestinos não deixem as conversas. "O governo de Israel está pronto para continuar os contatos com os palestinos nos próximos dias para encontrar um modo de avançar com as negociações", disse o premiê.

 

Com informações das agências Efe e Reuters

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