EUA pagavam jornalistas "anti-Cuba", diz jornal

Uma reportagem publicada na sexta-feira na edição online do jornal Miami Herald, da Flórida, afirma que o governo americano pagou milhares de dólares durante vários anos a pelo menos 10 jornalistas de Miami para que veiculassem histórias negativas sobre Cuba e seu líder, Fidel Castro.Esses jornalistas, segundo o Miami Herald, recebiam pagamentos regulares do governo dos Estados Unidos para programas na Rádio Martí e na TV Martí. As duas emissoras, administradas pelo governo americano, transmitem notícias e programas em espanhol para Cuba e, conforme a reportagem, têm o objetivo de "minar o governo comunista de Fidel Castro" e promover a democracia e a liberdade em Cuba.Segundo o Miami Herald, os três jornalistas que recebiam as somas mais altas trabalhavam para o El Nuevo Herald, jornal de língua espanhola publicado pela mesma empresa do Miami Herald. Um deles, Pablo Alfonso, que tem uma coluna de opinião no El Nuevo Herald, recebeu US$ 175 mil para apresentar programas nas duas emissoras.O repórter Wilfredo Cancio Isla recebeu US$ 15 mil, e a freelancer Olga Connor, US$ 71 mil. Os três foram demitidos do El Nuevo Herald e não comentaram o assunto.ConfiançaO presidente do Miami Herald, Jesus Diaz, acusou os jornalistas envolvidos de violarem a "sagrada confiança" do público.Um porta-voz das emissoras administradas pelos EUA, Joe O´Connell, negou qualquer irregularidade e afirmou que os jornalistas simplesmente foram pagos por suas contribuições e seu conhecimento a respeito da política cubana.Há muito tempo o governo cubano acusa os EUA de pagarem jornalistas para promover mudanças políticas na ilha.Em julho, houve um desentendimento na Argentina entre Fidel Castro e o repórter Juan Manuel Cao, do canal de língua espanhola 41, de Miami.Cao pressionou o líder cubano a dar explicações sobre uma dissidente que foi proibida de deixar Cuba para visitar o filho na Argentina.Na ocasião, Fidel Castro perguntou a Cao se alguém estava lhe pagando para fazer a pergunta. Agora, Cao admitiu que recebe pagamento do governo americano, segundo a reportagem do Miami Herald."Não há nada de suspeito nisso. Eu faria de graça, mas as regras não permitem. Eu cobro um preço simbólico, abaixo do valor de mercado", disse Cao ao Miami Herald.

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