AFP PHOTO / Kazuhiro NOGI
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EUA pedem ação coordenada contra Coreia do Norte

Washington trabalha na aplicação de novas sanções contra Pyongyang e pede colaboração de outras potências

Jamil Chade, CORRESPONDENTE /GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 18h54

GENEBRA - EUA, Coreia do Sul e Japão qualificaram nesta quarta-feira, 30, o regime de Pyongyang como “possivelmente a maior ameaça internacional” à paz mundial e pedem uma “ação coordenada” da comunidade internacional contra a Coreia do Norte. 

Nesta quarta-feira, numa reunião na Conferência de Desarmamento da ONU, Washington apelou por uma frente única internacional para forçar os norte-coreanos a abandonar seu programa nuclear. O Departamento de Estado afirmou que está elaborando uma nova série de sanções. 

A reunião, que ainda contou com a presença do Brasil, foi o palco de um debate acalorado sobre o futuro da península coreana. O embaixador dos EUA para Desarmamento, Robert Wood, pediu que a comunidade internacional faça uma “condenação global” e um “indiciamento da Coreia do Norte” ao violar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. 

“O tempo de debates há muito tempo acabou. Os perigosos são claros e é o momento de termos uma ação coordenada”, defendeu. 

Wood indicou que o governo americano estaria avaliando novas sanções. “O objetivo é o de usar sanções para pressionar o governo da Coreia do Norte a abandonar seus programas proibidos e atividades”, disse. 

Ssegundo ele, as sanções apenas teriam impacto se houver uma coordenação internacional. O Japão defende que os americanos apresentem ao Conselho de Segurança um novo pacote de sanções, que poderia atingir a capacidade da Coreia do Norte em enviar seus operários para trabalhar no exterior. Além disso, elas impactariam o abastecimento de petróleo e as exportações têxteis. 

“Estamos avaliando uma série de medidas para colocar pressão sobre Pyongyang”, disse Wood. “Vamos trabalhar com nossos aliados, com China e Rússia, para ver o que podemos fazer”, completou. 

Em sua avaliação, a China precisa usar sua influência para frear o regime norte-coreano.  Durante o debate, o governo da Coreia do Sul alertou que, por suas contas, seu vizinho ao norte já teria cerca de mil misseis, enquanto o Japão não descartou a possibilidade de que Pyongyang já disponha de ogivas nucleares. 

Em resposta, o diplomata norte-coreano, Ju Yong Chol, insistiu que seu país tem o direito à auto-defesa. Segundo ele, o lançamento de um míssil ao norte do Japão foi uma resposta a exercícios militares realizados em conjunto entre Seul e Washington. 

“O lançamento desta semana conduzido por nosso exército foi o prelúdio de medidas contra esses exercícios militares”, insistiu. “Todas as sanções ou pressões contra nosso país para isola-lo fracassarão”, afirmou Ju. “Cães ladram. Mas as caravanas passam”, completou. 

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