EUA pedem cooperação do Brasil no combate ao terrorismo

Uma semana depois de ter assumido o cargo de ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar estréia em suas novas funções participando, em Quito, no Equador, na VI Conferência de ministros da Defesa das Américas de um encontro com secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld. Na reunião, Rumsfeld vai pedir a cooperação do Brasil no combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas. Este mesmo pedido Rumsfeld vem fazendo aos demais países da região.Esta, no entanto, não é a principal preocupação brasileira. Em seu discurso na cerimônia de abertura do encontro o vice-presidente irá reiterar que terrorismo não se combate só com repressão, mas também atacando a fome a miséria. Repetindo o discurso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito, Alencar vai dizer que o Brasil se associa aos compromissos multilaterais de combate ao terrorismo, ressaltando que esta luta tem de levar em consideração a exclusão e a justiça social.Além da reunião com Rumsfeld, Alencar já tem pelo menos quatro encontros bilaterais agendados: com os ministros da Defesa do Canadá, do Chile, do Paraguai e da Argentina. Ainda hoje, o vice-presidente vai se reunir com o presidente do Equador, Lúcio Gutierrez. Na reunião que será aberta hoje , às 10 horas (13 horas no Brasil), Alencar estará ao lado de 33 outros ministros da Defesa dos países das Américas. Em seu discurso, o vice-presidente falará ainda sobre a presença brasileira no Haiti, tema que estava na pauta do encontro com Rumsfeld. Falará também sobre o compromisso do Brasil com o desarmamento e a não- proliferação de armas nucleares, assim como a defesa de que a região se torne zona livre de armas de destruição em massa.Alencar vai ressaltar ainda o papel das Forças Armadas brasileiras no âmbito da Organização dos Estados Americanos e da Organização das Nações Unidas, de defesa da soberania e da integridade nacional. Será uma espécie de recado, principalmente aos Estados Unidos, que querem que os governos da região repensem o papel tradicional de defesa das Forças Armadas, de modo a ampliá-lo no século 21 para tarefas como o combate ao terrorismo e às diversas formas de crime organizado.Ontem, depois de se reunir com o presidente equatoriano, em conferência de imprensa, Rumsfeld falou do relacionamento com os países da região, destacando que os Estados Unidos têm compromisso de estreitar a cooperação em matéria de defesa com todos os países do continente."Nós estamos vendo os benefícios da cooperação econômica. Agora, precisamos fortalecer a cooperação na área de segurança, de forma a obter benefícios para todos", disse o secretário norte-americano, acentuando que "segurança é fundamento essencial para o progresso dos povos de toda a América".Para ele, problemas como terrorismo, seqüestros, tráfico de drogas e crime organizado em geral, afetam a todos. "No século 21 estamos descobrindo que estes problemas são globais e regionais. Não há problema que afete apenas um país. E esses problemas são de tal ordem que não podem ser resolvidos por um só país", prosseguiu Rumsfeld, tentando obter apoio de todos.A presença de tropas brasileiras no Haiti foi outro tema do encontro do vice-presidente com Rumsfeld. Hoje, Alencar vai falar sobre o trabalho que o Brasil está desenvolvendo naquele país e pedir apoio dos demais participantes do encontro para a solução dos problemas haitianos, que não se resumem à presença militar.A redefinição da função da Junta Interamericana de Defesa (JID)será debatida hoje. A proposta dos Estados Unidos é transformar a JID em uma agencia hemisférica de coordenação da luta contra o crime organizado transnacional e o terrorismo, envolvendo as Forças Armadas dos países do continente em missões que vão além de suas funções clássicas de defesa do território, participação de missões de paz e assistência em desastres naturais. O Brasil tem se manifestado desfavorável à mudança do papel constitucional das Forças Armadas. Rumsfeld deve regressar a Washington nesta quarta-feira.

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