EUA pedem fim de censura e de repressão a protestos no Egito

País precisa entender que a violência não ajudará a superar as reivindicações do povo, diz Hillary

estadão.com.br

28 de janeiro de 2011 | 16h00

 

WASHINGTON - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu nesta sexta-feira, 28, que o governo do Egito não use a força para reprimir os protestos que tomaram conta do país desde a terça-feira pela deposição do presidente Hosni Mubarak, que governa o país há quase 30 anos. A chefe da diplomacia americana também defendeu o fim da censura à internet e à telefonia no país.

 

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"O Egito precisa entender que a violência não ajudará a superar as reivindicações do povo. O país deveria permitir as manifestações e não deveria cortar as comunicações", disse a secretária. "Estamos preocupados com o uso da força. Pedimos ao governo Egito que contenha as suas forças de segurança", completou.

 

Hillary ainda pediu que o Egito, um dos principais aliados dos EUA no mundo árabe, realize reformas. "Os egípcios deveriam viver em uma sociedade democrática com respeito aos direitos humanos. Nós acreditamos fortemente que eles deveriam se envolver em reformas econômicas, políticas e sociais".

 

A americana ainda condenou a repressão aos protestos, que tomaram grandes dimensões nesta sexta-feira com a volta do principal opositor do país, Mohammed ElBaradei. "Defendemos os direitos universais, como o direito à associação e à expressão. Os manifestantes devem ter o direito de se expressar pacificamente"

 

"O povo do Oriente Médio, como o povo de qualquer lugar, quer uma chance para contribuir e participar das decisões que vão afetar suas vidas", disse Hillary. "Os líderes precisam dar respostas", acrescentou.

 

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, também se pronunciou sobre as tensões no país do norte da África. "Estamos muito preocupados com a violência no Egito. O governo deve respeitar os direitos da população e restabelecer o serviço da internet", escreveu Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, em sua conta no Twitter.

O governo de Barack Obama tenta se antecipar aos eventos que ocorrem no Oriente Médio. Importantes membros do governo, do presidente até os escalões mais baixos, promovem a democracia, ao mesmo tempo em que mantêm o apoio a regimes como o de Mubarak.

 

União Europeia

 

A União Europeia também defendeu reformas no Egito. Em comunicado, a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, pediu mudanças urgentes no país e a liberação imediata dos cerca de mil manifestantes detidos.

"Exortamos o Egito a abrir urgentemente um canal construtivo e pacífico para responder às legítimas aspirações dos cidadãos egípcios de reformas democráticas e socioeconômicas", disse Ashton em comunicado.

 

Os protestos contra Mubarak irromperam na terça-feira e são os maiores da história do país. O país realiza eleições presidenciais neste ano, mas Mubarak não anunciou se concorrerá ao cargo por mais seis anos.

 

Os distúrbios, batizados de "Dia da Fúria" por alguns ativistas na internet, foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, há duas semanas. No Iêmen também foram registradas manifestações nesta quinta.

Com AE e Efe

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