EUA pedem mais tropas a aliados

Gates pressionará Otan por aumento de soldados, reforço no transporte e atuação em áreas afegãs mais perigosas

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, deve pressionar os 25 países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a aumentar o número de soldados no Afeganistão durante a reunião de dois dias que começa hoje na Cracóvia, Polônia. Gates também pedirá mais helicópteros e aviões de carga e tentará convencer seus aliados a levar unidades para áreas mais perigosas, como a região tribal na fronteira com o Paquistão, reduto do Taleban. Na terça-feira, o presidente Barack Obama anunciou o envio de mais 17 mil soldados ao Afeganistão até o meio do ano para "estabilizar a situação que se deteriora". Os EUA esperam que a Otan se comprometa a aumentar seu contingente, atualmente em 56 mil homens. Outros 9 mil soldados estrangeiros, que não fazem parte da Otan, também atuam no território afegão.O reforço de ofensiva precisa ocorrer antes das eleições presidenciais e provinciais afegãs, marcadas para 20 de agosto. Itália e Alemanha adiantaram-se ao pedido dos EUA e anunciaram ontem um aumento de seus efetivos até o meio do ano. Berlim enviará um contingente extra de 600 soldados e Roma, 500. A Austrália, país que não faz parte da Otan, mas tem mil soldados no Afeganistão, também deu sinais de que poderá reforçar sua força. "Sempre consideramos os pedidos de nossos aliados, mas vamos esperar até que os países da Otan estejam preparados para fazer mais", afirmou o ministro da Defesa, Joel Fitzgibbon. Mas com as forças internacionais desgastadas após mais de sete anos desde a destituição do regime taleban, Washington deve encontrar dificuldades para persuadir os aliados a enviar reforços substanciais. "Sempre temos a esperança de sermos agradavelmente surpreendidos, mas não vamos ao encontro na Polônia com a expectativa de receber forças adicionais para o Afeganistão", disse o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell. No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai disse ontem que confia no fim das tensões com os EUA e anunciou que as tropas internacionais vão melhorar a coordenação com as forças afegãs. "As tensões que o governo afegão tinha com os EUA acabaram", afirmou num discurso. "De agora em diante, nenhuma operação das tropas estrangeiras será realizada sem estar em coordenação com as forças afegãs."Na noite anterior, Obama telefonou a Karzai pela primeira vez desde que tomou posse. "Abrimos uma nova página", disse o porta-voz de Karzai após a ligação. As relações entre Washington e Cabul haviam se deteriorado nas últimas semanas após Karzai responsabilizar os EUA pelo aumento da morte de civis. A Casa Branca, por sua vez, qualificara o governo de Karzai como ineficiente e corrupto. Ao anunciar o envio de mais soldados, Obama alertou que apenas a ação militar não resolverá o problema no Afeganistão. REFORÇO À VISTA56 mil é o número total de militares das forças da Otan atualmente no Afeganistão9 mil soldados estrangeiros atuam no Afeganistão sem integrar a Otan17 mil militares americanos serão enviados este ano como reforço600 soldados adicionais serão enviados pela Alemanha

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