EUA pedem moderação a regimes

Os EUA reiteraram ontem sua "profunda preocupação" e condenação à violência no Bahrein, no Iêmen e na Líbia, em uma reação considerada tímida e desconectada das manifestações em prol de reformas democráticas nesses países. Segundo especialistas, há convicção no governo americano de que, no caso do Bahrein especialmente, os protestos se restringem a uma minoria xiita da população e não chegarão a impor ameaças nem ao regime nem à 5.ª Base Naval americana, instalada no emirado.

Denise Chrispim Marin,

19 de fevereiro de 2011 | 00h37

Ontem, em comunicado, o presidente dos EUA, Barack Obama, centrou sua atenção na violência dos governos do Bahrein, da Líbia e do Iêmen contra os manifestantes e pediu a seus líderes que "limitem as respostas aos protestos pacíficos e respeitem os direitos de seus povos".

O secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse não ter havido contato telefônico entre Obama e os líderes desses países até o final da manhã. Mas Carney se esquivou de perguntas sobre possíveis ameaças à base naval americana.

Segundo o analista Larry Korb, a Líbia é o único país no qual a queda do regime seria interessante para os EUA. Para os demais casos, não se deve esperar apoio da Casa Branca aos manifestantes. O governo americano está ciente do descontentamento popular nos países árabes com os governos autoritários. Mas também sabe que uma mudança não se dará no curto prazo. "Essa é a direção. A questão é saber quanto tempo teremos de esperar."

Em uma análise por escrito, feita pelo governo dos EUA, o ex-diplomata americano Jim Gordon afirmou não haver riscos para a 5.ª Frota Naval no Bahrein. A presença militar dos EUA deu ao emirado a proteção necessária para desenvolver os setores de petróleo e de turismo. O movimento está isolado, segundo Gordon, que serviu na Embaixada dos EUA em Manama entre 2006 e 2008. Resume-se aos xiitas, grupo minoritário em um país de predomínio e governo sunitas, e está distante dos centros financeiro e de poder do país. Com base nesses dados, ele avalia ser impossível ver o rei Hamad al-Khalifah demitir seu tio e primeiro-ministro, Khalifah al-Khalifah, para atender à demanda dos manifestantes.

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