Reuters
Reuters

EUA pedem que China mostre 'moderação' em protestos

Grupo de muçulmanos da etnia uigur entrou em choque com a polícia em Xinjiang ; pelo menos 156 morreram

Agência Estado e Associated Press,

06 de julho de 2009 | 17h41

A Casa Branca pediu à China que mostre "moderação" na província de Xinjiang, no noroeste do país, ao se dizer "profundamente preocupada" com os confrontos que deixaram 156 mortos. "Nós estamos profundamente preocupados com os relatos de muitos mortos e feridos pela violência em Urumqi, no oeste da China", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em comunicado nesta segunda-feira.

 

Veja também:

video Vídeo com os protestos (no YouTube)

lista Entenda: Xinjiang, área de maioria muçulmana que incomoda Pequim

 

"Os relatos, até agora, não estão claros sobre as circunstâncias das mortes e dos feridos, então seria prematuro especular ou comentar mais sobre o assunto. Nós pedimos a todos em Xinjiang que exerçam a moderação". Pelo menos 828 pessoas ficaram feridas pela violência em Urunqi, de acordo com os relatos, que citam choques entre forças de segurança e manifestantes, e entre integrantes da etnia Uigur, que falam uma linguagem turca, contra chineses da etnia Han, que formam a maioria da população da China.

 

Wu Nong, diretora da assessoria de imprensa do governo provincial de Xinjiang, disse que mais de 260 automóveis e veículos foram atacados ou queimados no domingo e 203 lojas foram depredadas. "Nós pedimos à comunidade internacional que condene a China pelas matanças de uigures inocentes. Este é um dia negro na história do povo uigur", disse Alim Seytoff, vice-presidente da Associação Uigur-Americana, com sede em Washington.

 

Funcionários chineses acusam a líder da Associação - Rebiya Kadeer, uma empresária de Xinjiang de 62 anos, que vive atualmente nos EUA - por incitar a violência. "Rebiya teve conversar telefônicas com pessoas na China em 5 de julho, para incitá-las, e usou websites para orquestrar o levante e espalhar propaganda", disse o governador de Xinjiang, Nur Bekri.

 

Em 2005, a empresária foi libertada da prisão pelo governo chinês e partiu para o exílio nos EUA. A chancelaria chinesa acusa Rebiya de fazer parte do Movimento Islâmico do Turquestão do Leste - uma organização que os EUA classificam como terrorista. Pequim, no entanto, não forneceu nenhuma prova das acusações e a empresária nega fazer parte da organização.

 

Testemunhas e a mídia da província afirmam que a violência começou somente quando a polícia apareceu para dispersar uma manifestação pacífica dos uigures, que pedia justiça para dois trabalhadores da etnia mortos no mês passado, após uma luta com colegas de trabalho da etnia han, numa fábrica no sul da China. Não existem muitas informações sobre o motivo de tantas pessoas terem sido mortas.

 

Kakharman Khozamberdi, líder do movimento dos turcos uigures no Casaquistão, afirmou que o barulho das metralhadoras foi escutado na noite inteira do domingo e madrugada desta segunda-feira em Urumqi. Uma testemunha lhe disse que dez corpos foram vistos perto de um bazar, incluídos corpos de mulheres e crianças. Em Genebra, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo à China para tomar muito cuidado ao lidar com os manifestantes.

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaEUAprotestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.