EUA pedem que China se 'concentre nos pontos fracos' da Coreia do Norte

Almirante norte-americano disse que há interesse do país e dos aliados em 'chamar a atenção dos norte-coreanos

Efe

27 de novembro de 2010 | 01h28

WASHINGTON - A China deve deixar de pensar que o presidente norte-coreano, Kim Jong-il, é "controlável" e começar a se concentrar nos seus "pontos fracos", opinou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, Mike Mullen, em entrevista à emissora CNN que teve prévia divulgada na sexta-feira, 27.

"É difícil saber por que a China não pressiona mais a Coreia do Norte. Minha impressão é que tentam controlar o líder norte-coreano, e não tenho certeza que ele seja controlável", disse Mullen, em entrevista que a CNN exibirá na íntegra no domingo.

O almirante acrescentou que tanto Estados Unidos como seus aliados têm "interesse em chamar a atenção" de Kim Jong-il, embora o maior interessado tenha de ser a "China, no sentido de se concentrar nos pontos fracos norte-coreanos e assegurar que essa parte do mundo não desmorone".

Mullen descreveu a Coreia do Norte como um país "que está deixando que sua gente passe fome, com uma economia absolutamente desastrosa, apesar de seu líder seguir empreendendo ações para desestabilizar a região".

"Isso pode ser perigoso para todos nós, não só para os atores regionais, embora acho que certamente a China tem um grande papel para manter a estabilidade", indicou.

Segundo o alto comando militar, o ataque norte-coreano à ilha de Yeonpyeong, que na terça-feira causou a morte de dois militares e dois civis, é outra mostra de que Kim Jong-il "está tomando posições para sua sucessão", com a ascensão do seu filho Kim Jong-un, herdeiro do regime.

"Acho que seu principal objetivo é continuar desenvolvendo um arsenal nuclear e seguir captando a atenção mundial, para tentar ascender a um nível no qual seja visto como uma espécie de ator global", assegurou o almirante.

As declarações de Mullen acontecem em um momento de incipiente tensão entre Washington e Pequim, devido aos planos de EUA e Coreia do Sul de realizar, a partir de domingo, manobras navais conjuntas em águas ao oeste da Península Coreana.

O anúncio levou a uma resposta contundente do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, que até agora havia se mantido neutro mas que nesta sexta-feira advertiu que se opõe "a qualquer operação militar sem permissão em sua zona econômica exclusiva".

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