Evan Vucci/ Reuters
Evan Vucci/ Reuters

EUA pedem que Otan se prepare para ameaça de armas químicas da Síria

Em Bruxelas, Kerry pede plano de contingência após Israel acusar Assad de uso de gás sarin

O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2013 | 11h45

BRUXELAS - O secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta terça-feira, 23, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) precisa reconsiderar seu papel na crise síria e estar preparada para reagir a uma potencial ameaça com armas químicas. A declaração foi dada horas depois de o governo de Israel ter acusado o regime de Bashar Assad de lançar ataque com gases venenosos contra combatentes rebeldes.

"Devemos com cuidado e em conjunto considerar como a Otan está preparada para proteger seus membros de uma ameaça com armas químicas da Síria", disse Kerry durante um encontro de chanceleres da Otan em Bruxelas, na Bélgica. "Um plano de contingência - que é algo que a Otan já tem feito - seria uma providência apropriada."

Segundo o chefe da diplomacia americana, no entanto, a principal preocupação no momento é com a Turquia, país -membro da Otan e vizinho da Síria, cuja fronteira já foi atingida por disparos de tropas de Assad. Baterias antimísseis Patriot estão posicionadas em território turco para repelir qualquer ataque.

O uso de armas químicas na guerra civil, no entanto, tinha sido classificado em março pelo presidente Barack Obama como inaceitável. Segundo o líder americano, seu uso teria "consequências".

O secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, declarou que a aliança atlântica está extremamente preocupada com o emprego de mísseis balísticos na Síria e com o possível uso de armas químicas. Segundo ele, a Otan está preparada para garantir a segurança de seus países-membros.

"Posso garantir que estamos prontos para defender e proteger nossos aliados, nesse caso a Turquia", disse o dinamarquês. "O deslocamento dos mísseis Patriot comprovam os planos para assegurar a proteção efetiva da Turquia."

Na manhã de hoje, durante uma conferência de segurança em Israel, o general de brigada Itai Brun, principal analista de inteligência militar do Exército israelense, disse que o regime sírio teria usado armas químicas - provavelmente gás sarin - contra rebeldes. Na segunda-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hegel, em visita a Tel-Aviv, disse que as agências de inteligência americanas ainda estão avaliando se houve o uso dessas armas.

"Conforme nosso melhor entendimento, houve o uso de armas químicas letais", disse Brun. "Quais armas químicas? Provavelmente sarin." Segundo ele, essa suspeita é amparada por fotos de vítimas espumando pela boca e com pupilas contraídas.

No mês passado, governo e rebeldes da Síria se acusaram mutuamente de usar armas químicas perto de Alepo. Na ocasião, 17 pessoas morreram. Uma comissão da ONU foi enviada para investigar o caso.

Ajuda. No encontro em Bruxelas, Kerry disse também que Washington está analisando cada opção que possa encerrar a violência e conduzir a uma transição política. De acordo com ele, é preciso formular os planos agora para assegurar que não haja vácuo de poder quando o novo governo assumir e é necessário aumentar a ajuda aos rebeldes.

"Eu quero pedir a todos os seus governos que elevem o auxílio material e político à coalizão e ao o conselho militar, que compartilha nossa visão sobre o futuro da Síria, e assegurar que toda a assistência seja dirigida para eles", declarou Kerry. No domingo, o secretário de Estado anunciou que os Estados Unidos dobrariam sua assistência não letal à oposição síria, que poderia incluir materiais de defesa militar pela primeira vez. / AP, REUTERS e EFE

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