EUA pedem que Tóquio evite acirrar os ânimos

Biden pressiona para que japoneses deixem de exaltar publicamente feitos do país durante a 2ª Guerra

O Estado de S. Paulo,

03 de dezembro de 2013 | 22h47

TÓQUIO - Discretamente, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pediu ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, mais empenho na melhora das relações com seus vizinhos, incomodado com o comportamento de Tóquio em relação às atrocidades cometidas pelo Japão durante a ocupação da Ásia continental, na 2.ª Guerra.

“Também é importante observar uma cooperação mais próxima entre nossos aliados, Japão e Coreia do Sul, e também com a China”, disse Biden. Segundo ele, essa aproximação é do interesse não apenas do Japão, mas também dos EUA. 

Ao mesmo tempo, Washington teme que esse atrito comprometa suas relações com a China, segunda maior economia global e potência em rápida ascensão. Além de Japão e China, Biden visitará a Coreia do Sul.

“Os EUA têm interesse em baixar as tensões nessa região e acredito que todos os países do nordeste da Ásia também estão interessados nisso”, afirmou o vice-presidente na Kantei, a residência oficial do primeiro-ministro japonês. Tóquio, do outro lado, espera que os americanos demonstrem firmeza diante das “provocações” chinesas.

A zona de defesa anunciada por autoridades chinesas cobre uma faixa de cerca de 950 mil quilômetros em águas internacionais, separando China, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Pequim diz que todos os aviões que quiserem entrar nesse espaço aéreo devem agora se identificar ou sofrerão “medidas defensivas” não especificadas.

Logo após Pequim declarar o controle sobre a região, dois bombardeiros americanos sobrevoaram o local, em uma tentativa de demonstrar que Washington não cederia às pressões. Em seguida, aviões do Japão e da Coreia do Sul fizeram o mesmo. A China disse ter “monitorado” a movimentação e, por último, também enviou seus caças.

O primeiro-ministro japonês afirmou que, em conversas com Biden, ficou acertado que aviões do Japão e dos EUA continuariam a viajar através da zona de defesa aérea da China sem enviar planos de voo ou se identificar às autoridades chinesas.

“Também concordamos que não apoiaremos qualquer ação que possa colocar em risco aeronaves civis”, afirmou Abe, sem oferecer mais detalhes. / AP e REUTERS

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