Michael Reynolds/EFE
Michael Reynolds/EFE

EUA convocam Conselho de Segurança da ONU após Rússia defender Maduro

Governo americano pede reunião de emergência depois que Moscou e Pequim, principais aliados do chavismo, criticaram Washington por ter reconhecido líder opositor, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington e Jamil Chade / Correspondente, Genebra, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 17h35
Atualizado 25 de janeiro de 2019 | 14h50

Os Estados Unidos convocaram para amanhã uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise na Venezuela depois de a Rússia e a China criticarem Washington por reconhecer o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino do país. Moscou e Pequim são os principais aliados do presidente Nicolás Maduro e credores de dívidas bilionárias relacionadas ao petróleo venezuelano. 

Hoje pela manhã, Maduro também obteve o respaldo de Turquia, Irã e Síria. O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, afirmou que uma intervenção é “inaceitável” e declarações dos EUA sugerindo a possibilidade de entrar com forças militares no país são muito perigosas, o que poderia abrir espaço para o caos e “um banho de sangue”. 

Questionado se a Rússia estaria disposta a dar asilo a Maduro, o porta-voz afirmou que ele é o líder legítimo.

No Fórum Econômico Mundial de Davos, diplomatas latino-americanos não disfarçavam a preocupação de que isso signifique a importação da tensão entre Moscou e Washington para a América do Sul. 

Uma escalada na tensão entre EUA e Rússia, tendo a Venezuela como pano de fundo, deve ficar limitada às discussões no CS da ONU, que terá a inusitada presença do secretário de Estado, Mike Pompeo. A previsão de analistas internacionais é que Rússia e China, aliados do regime de Maduro, exerçam poder de veto para barrar eventuais iniciativas dos americanos contra o venezuelano.

Para Fernando Cutz, ex-assessor da Casa Branca para assuntos ligados à região e atualmente membro da consultoria Cohen Group, “os benefícios para a Rússia não valem o custo” de assumir um confronto com os EUA sobre a Venezuela. A tensão não deve passar do plano da retórica, segundo diplomatas ouvidos em condição de anonimato. Apesar de Trump afirmar que todas as opções estão na mesa, os EUA vêm mostrando que não estão dispostos a ações miliares. A avaliação de diplomatas é que um conflito é improvável e não passaria de comentários críticos vindas de cada um dos lados. 

Ao defender Guaidó como presidente interino, o secretário de Estado dos EUA afirmou hoje que o reconhecimento do líder oposicionista “não aconteceu da noite para o dia” na Venezuela e disse que os EUA fornecerão mais de US$ 20 milhões de ajuda humanitária aos venezuelanos. “A verba é para ajudá-los a lidar com a escassez de comida e medicamentos e outros impactos terríveis da crise econômica e social”, disse Pompeo. 

Brasil

No Palácio do Planalto, a avaliação é a de que a situação na Venezuela depois do reconhecimento de Guaidó como presidente interino por parte de Brasil, EUA e outros países da região ainda é pouco clara. “Não há nada certo. Há um elevado grau de incerteza e tudo vai depender de quem vai apoiar”, declarou uma fonte do mais alto escalão do governo de Jair Bolsonaro.

Enquanto a aliança internacional é construída, outra parte da estratégia é a de desafiar e deslegitimar as decisões de Maduro. O Itamaraty orientou seus diplomatas em Caracas a responder apenas ao presidente da Assembleia Nacional. O governo brasileiro não retirará seus diplomatas e a decisão de permanecer é um ato de desafio ao governo de Maduro. Cartas e comunicações enviadas pelo regime chavista passarão a ser ignoradas e a convocações para eventuais reuniões, atos e encontros não serão atendidas. 

Ao Estado, o chanceler Ernesto Araújo indicou que não vai retirar da Venezuela os diplomatas brasileiros. “Eles ficam”, disse ele em Davos. O único caso de uma retirada e fechamento da embaixada seria se fosse necessário um gesto de reciprocidade, o que não está previsto por enquanto. 

 

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