EUA perdem bilhões em fraudes com vítimas do Katrina

O Furacão Katrina produziu uma das mais fraudulentas situações já vistas na história moderna dos Estados Unidos e custou aos cofres públicos cerca de US$ 2 bilhões. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times em uma reportagem publicada nesta terça-feira. O desastre natural de 29 de agosto de 2005 devastou os estados de Louisiana e Mississipi, deixando mais de 1.570 pessoas mortas.Entre as fraudes estão o pagamento de mais de US$ 10 milhões em aluguéis e assistência para cerca de 1.100 prisioneiros nos estados banhados pelo Golfo do México e gastos de mais de um bilhão de dólares com a compra de trailers que até hoje não foram utilizados.Este cenário já era temido logo após a aprovação do primeiro pacote de emergência pelo Congresso americano. Isso porque, segundo funcionários da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) e da Cruz Vermelha Americana, seus sistemas de cadastros de vítimas possuíam mais registros do que o número real flagelados.Funcionários do governo americano reconheceram que uma certa quantia de pagamentos impróprios é inevitável em qualquer grande desastre, já que a missão do governo é distribuir ajuda rapidamente. O pagamento excessivo normalmente representa de 1 a 3% do total distribuído. No caso do Furacão Katrina, no entanto, a estimativa de mais de US$ 2 bilhões em fraudes e desperdícios representa cerca de 11% dos US$ 19 bilhões gastos pelo FEMA nas ajudas às vítimas dos furacões Katrina e Rita.O governo também estima que 21% do dinheiro distribuído diretamente às vítimas pode ter sido mal direcionado, informou o NYT.A diretora da FEMA, Donna M. Dannels, atribuiu os erros e fraudes a utilização de processos nunca testados antes pelas agências do governo.Diante deste cenário, promotores federais entraram com processos contra 335 indivíduos por crimes de fraudes na ajuda para as vítimas do furacão. E outros 7 mil casos de possível fraude estão sendo analisados.FraudesMilhares de pessoas receberam indenizações e assistência indevidas do governo.São casos como o de um dono de um hotel do Texas que recebeu US$ 232 mil por hospedar vítimas fantasmas. Ou de uma mulher em Illinois que pediu indenização por ter assistido suas duas filhas serem levadas pelas águas em New Orleans. As crianças, segundo promotores, nunca existiram.Um dos exemplos mais espantosos de gastos excessivos foram os US$ 7,9 milhões utilizados para reformar o Fort McClellan Army em Anniston, Alabama. Quando a reforma terminou, apenas dez pessoas apareceram por noite, e o Fort teve que fechar suas portas em um mês.

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