EUA perdem votação em conferência populacional da ONU

Os Estados Unidos perderam hoje uma marcante votação numa conferência internacional. Países da região Ásia-Pacífico rejeitaram a posição americana, vista como restritiva em relação ao aborto e ao uso de preservativos por jovens.A votação foi realizada no final da Conferência Populacional Ásia e Pacífico, patrocinada pela ONU, que adotou um plano de ação sobre políticas populacionais num esforço para reduzir a pobreza na região.Os EUA faziam objeção a vários parágrafos no esboço de plano, afirmando que enunciados como "serviços de saúde reprodutiva" e "direitos reprodutivos" poderiam ser interpretados como defendendo o aborto e o sexo entre adolescentes.Representantes dos EUA exigiram mudanças ou a retirada dos parágrafos, o que foi rejeitado pelos demais países.Delegados disseram que a reunião ministerial de dois dias, que se seguiu a quatro dias de conversas preliminares entre outras autoridades, foi muitas vezes acalorada, com os EUA pressionando os outros países."Queríamos uma conferência orientada para o desenvolvimento, mas as questãos sobre as quais tivemos um acalorado debate foi em relação ao aborto e sexo na adolescência", relatou Kim Hak-Su, secretário-executivo da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico, ou Unescap, que promoveu o evento.Diante do impasse, a conferência decidiu realizar uma votação - algo altamente incomum numa conferência da ONU - sobre dois capítulos-chave do plano. Os Estados Unidos perderam a primeira votação por 31 a 1, com duas abstenções, e a segunda por 32 a 1, com uma abstenção.Eventualmente, os EUA concordaram que o plano fosse adotado sem mudanças, disse Thoraya Obaid, diretora-executiva do Fundo da População da ONU. As preocupações dos EUA foram anexadas num documento em separado que não irá afetar o plano, disse ela."Ao unir-se ao consenso eles fizeram parte de todo o grupo. Não se trata de perder ou ganhar. Trata-se de multilateralismo", explicou, numa entrevista coletiva.O plano de 22 páginas recomenda o combate à pobreza concentrado em 12 áreas, como planejamento familiar, igualdade entre sexos e o combate à aids e ao HIV. O "uso consistente de preservativos" foi considerado uma forma de reduzir infecções por HIV, algo que os EUA eram contra. O plano não tem força de lei nas 43 nações membros da Unescap.O plano visa a diminuir à metade o número de pessoas na região Ásia-Pacífico vivendo com menos de um dólar por dia, até 2015. Cerca de 67% do 1,2 bilhão de pessoas que, estima-se, vivem em pobreza extrema estão na região.

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