EUA permitiram comércio com empresas do Irã

Apesar de sanções, autorizações do Tesouro beneficiaram indústrias alimentícias americanas como a Pepsi e a Kraft

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

Os Estados Unidos autorizaram o comércio de bilhões de dólares com empresas de países incluídos em sua lista negra nos últimos anos, especialmente com o Irã, mesmo com a vigência de sanções e restrições legais.

Reportagem do jornal The New York Times mostrou como brechas nas leis e esquemas entre lobbies empresariais e políticos influentes permitiram a venda de produtos nada vinculados à ajuda humanitária. Entre os negócios permitidos estava a licitação de um gasoduto no Irã, que facilitaria a exportação de gás para a Europa.

As autorizações beneficiaram indústrias alimentícias como a Pepsi, a Kraft Foods, a Mars, a McCormick e a American Pop Corn e também de outros setores, como a General Electric. As companhias teriam fechado operações comerciais com empresas acusadas pelos EUA de envolvimento com o terrorismo e a proliferação nuclear.

No início de 2011, Washington deverá ampliar ainda mais as sanções econômicas aplicadas contra o Irã. Mas, nos últimos anos, concedeu licenças de exportação de alimentos para redes varejistas controladas por bancos mencionados na lista negra e pela Guarda Revolucionária, considerada uma organização terrorista pelos EUA. O Departamento do Tesouro concedeu na última década mais de 10 mil exceções às companhias americanas.

Ao New York Times, o subsecretário do Tesouro americano, Stuart Levey, defendeu ontem a política americana e afirmou que, no caso do Irã, tais exceções permitiram enfatizar o fato de os EUA serem contrários ao governo de Teerã, não ao povo iraniano. "Ninguém duvida da nossa seriedade nas sanções. Esses casos são raros e não há nenhum conflito com nossos esforços para aplicar pressão sobre o Irã, que já enfrenta quatro rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU por causa de seu programa nuclear", disse Levey.

De acordo com a reportagem, bebidas e produtos alimentícios de luxo foram exportados por empresas dos EUA com base na redação demasiado frouxa sobre as exceções de caráter humanitário nas leis sobre as sanções.

Mas, foram facilitadas também pela influência política. Em um dos casos relatados está o pedido de licença de importação de 200 eletrodos de grafite da China feito por uma empresa de processamento de lixo hospitalar do Havaí em 2003. Embora negada inicialmente, porque a empresa exportadora chinesa vendera tecnologia de míssil ao Paquistão, a licença foi autorizada depois da interferência do senador Daniel Inouye.

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