LECH MUSZYNSKI/EFE/EPA
LECH MUSZYNSKI/EFE/EPA

Como recado a Putin, EUA enviarão armamento pesado à Europa Oriental

Equipamentos militares serão posicionados em países da Otan que faziam parte da esfera sob influência soviética durante a Guerra Fria

O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 17h49

Atualizada às 21h27

RIGA, LETÔNIA - Numa significativa jogada para dissuadir futuras agressões russas na Europa, o Pentágono pretende armazenar tanques, veículos de combate e outros tipos de armamento pesado para até 5 mil soldados americanos em vários países dos Bálcãs e da Europa Oriental, disseram funcionários americanos e aliados.

Se aprovada, a proposta representará a primeira vez desde o fim da Guerra Fria que os Estados Unidos mobilizam equipamento militar pesado nos novos países-membros da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), que antes faziam parte da esfera de influência soviética. A anexação russa da Crimeia e a guerra no leste da Ucrânia causaram alarme entre os integrantes da Otan, que estão refazendo seu planejamento militar.

Esta seria a mais importante de uma série de jogadas dos EUA e da Otan no sentido de reforçar suas posições no Leste Europeu e enviar um recado claro ao presidente russo, Vladimir Putin, de que os americanos defenderiam os membros da aliança localizados mais perto da fronteira russa.

Depois da expansão da Otan, que em 2004 passou a incluir os países bálticos, os EUA e seus aliados evitaram instalar permanentemente equipamento e soldados no leste enquanto buscavam diferentes formas de parceria com a Rússia.

“Trata-se de uma importante mudança na política para a região”, disse James G. Stavridis, almirante da reserva e ex-comandante supremo aliado da Otan. “É algo que traz nova sensação de segurança para aliados inquietos, embora nada seja melhor do que a mobilização permanente de soldados no local”, disse Stavridis, atualmente diretor da Faculdade de Direito e Diplomacia Fletcher da Universidade Tufts. 

A quantidade de equipamento é pequena se comparada ao que a Rússia pode mobilizar contra os países da Otan ou para perto de suas fronteiras, mas serviria como indicação do comprometimento americano, funcionando como fator de dissuasão como ocorreu com a Brigada de Berlim após a crise do Muro de Berlim em 1961.

“É como trazer a Otan de volta para o futuro”, disse Julianne Smith, que trabalho na Casa Branca e no Departamento de Defesa e atualmente é vice-presidente da empresa de consultoria Beacon Global Strategies.

A proposta do Pentágono ainda precisa da aprovação do secretário de Defesa, Ashton Carter, e da Casa Branca. E restam obstáculos políticos, pois o plano trouxe preocupação a alguns aliados da Otan sobre a reação russa à mobilização de equipamento militar.

“Os EUA continuam a avaliar os melhores locais para o armazenamento do material, a serem determinados com nossos aliados”, disse o coronel Steven Warren, porta-voz do Pentágono. Funcionários do alto escalão, que descreveram o planejamento militar sob condição de anonimato, disseram esperar que a aprovação ocorra antes da reunião dos ministros de Defesa da Otan em Bruxelas este mês.

A proposta atual não chega a designar soldados americanos para os países bálticos, como eles desejavam. Ainda assim, funcionários dos países aliados dizem que recebem de braços abertos a proposta de envio de armamento.

“Precisamos do equipamento pré-posicionado porque, se algo ocorrer, necessitaremos de armamento adicional, equipamento e munição“, disse o ministro de Defesa da Letônia, Raimonds Vejonis. A Letônia já se manifestou disposta a receber o armamento americano e a Polônia ainda estuda a proposta.

“Se algo ocorrer, não poderemos esperar dias ou semanas por mais equipamento”, disse Vejonis, que se tornará presidente em julho. “Teremos de reagir imediatamente.” 

O professor Mark Galeotti, da Universidade de Nova York, que já escreveu sobre os serviços militares e de segurança da Rússia, destacou: “Os tanques mobilizados para a região representam um marco significativo, ainda que não haja ninguém dentro deles”.

No formato atual da proposta, equipamento suficiente para uma companhia - cerca de 150 soldados - seria armazenado em cada um desses três países bálticos: Lituânia, Letônia e Estônia. O suficiente para uma companhia e, talvez, um batalhão - cerca de 750 soldados - seria armazenado na Polônia, Romênia, Bulgária e, possivelmente, Hungria, disseram eles.Especialistas militares americanos fazem levantamentos nos países candidatos e o Pentágono estuda o custo do aprimoramento das ferrovias, construção de armazéns e substituição de instalações do período soviético para acomodar o armamento. A mobilização do equipamento para posições avançadas poupa tempo, dinheiro e recursos ao Exército dos EUA, evitando que o país tenha de enviar o equipamento cada vez que uma unidade do Exército viajar à Europa. O equipamento necessário para toda uma brigada incluiria cerca de 1.200 veículos, entre eles 250 tanques M1-A2, veículos de combate Bradley e canhões blindados. / NYT


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