REUTERS/Loren Elliott
REUTERS/Loren Elliott

EUA planejam deter crianças imigrantes em bases militares

Governo de Trump estuda abrigar em centros militares menores desacompanhados que cruzam a fronteira americana ilegalmente

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2018 | 05h00

WASHINGTON - O governo americano está se preparando para abrigar crianças imigrantes em bases militares. Trata-se do mais recente indicativo de que o governo do presidente Donald Trump avança com seus planos de separar as famílias que cruzam a fronteira ilegalmente. 

De acordo com uma notificação enviada por e-mail ao Pentágono, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês) visitará quatro bases militares no Texas e em Arkansas nas próximas duas semanas para avaliar se os locais são adequados para abrigar as crianças. A HHS é a agência do governo responsável pelos menores até que um parente adulto assuma sua custódia.

As bases seriam usadas para acolher menores de 18 anos que cruzem a fronteira sem nenhum parente adulto ou depois de o governo separá-los de seus pais. As visitas servirão para uma avaliação preliminar. Os espaços atuais já operam com 91% da sua capacidade e os planos do governo de endurecer as regras podem provocar um aumento no número de crianças sob os cuidados da agência. 

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Segundo membros do governo, medidas estão sendo adotadas para conter o drástico aumento no número de famílias que cruzam a fronteira ilegalmente, muitas delas vindas da América Central em busca de asilo. Os agentes de fronteira dos EUA prenderam mais de 100 mil pessoas tentando atravessar a fronteira em março e abril, o número mais elevado de pessoas detidas em dois meses desde que Trump assumiu a presidência.

O presidente comentou esse aumento e culpou a secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen. Ele ordenou que ela “feche” a fronteira e contenha o fluxo migratório, que normalmente aumenta durante a primavera americana com a demanda de trabalhadores rurais.

Kirstjen e o secretário de Justiça, Jeff Sessions, afirmaram que o governo deve adotar uma medida extraordinária, processando criminalmente qualquer pessoa que cruzar a fronteira ilegalmente, incluindo pais que viajam com seus filhos. Em muitos casos, isso significará que os adultos serão mantidos em prisões, aguardando o processo, e seus filhos enviados para órgãos de assistência. “Se você estiver contrabandeando uma criança, iremos processá-lo e seus filhos serão separados de você, como exigido pela lei”, disse Sessions. 

As crianças mantidas sob custódia passam em média 45 dias sob a guarda do governo e a elas são oferecidas oportunidades de recreação e educação. A agência investiga os responsáveis pelos menores e, em 85% dos casos, eles são liberados para se reunirem com seus pais ou parentes que já estejam nos EUA.

Autoridades do Departamento de Segurança Interna vêm lutando há anos para administrar essa mudança demográfica na população de imigrantes presos na fronteira. Antes, homens solteiros vindos do México eram a maioria dos mantidos em custódia.

Há cinco anos, famílias com crianças e menores desacompanhados constituíam 10% dos ilegais. Hoje, elas representam 40% dos detidos na fronteira.

Críticos denunciam a medida, uma prática que qualificam de impiedosa, causando traumas nas famílias que fogem das sangrentas guerras de gangues na América Central.

No mês passado, Trump ordenou ao Pentágono que auxilie o Departamento de Segurança Interna a lidar com o enorme fluxo de pessoas cruzando a fronteira ilegalmente, incluindo a mobilização de 4 mil soldados da Guarda Nacional. Militares foram escalados para dar suporte, mas não estão autorizados a prender os imigrantes.

O Pentágono declarou que ainda não havia recebido nenhum pedido oficial da HHS. No passado, quando o Exército emprestou suas instalações, foi reembolsado e os militares não se envolveram na operação. 

Obama. O uso de bases militares para abrigar as crianças tem precedente. Em 2014, o governo de Barack Obama utilizou bases em Oklahoma, Texas e Califórnia para abrigar mais de 7 mil crianças num período de sete meses. Na época, o governo argumentou que se tratou de uma resposta ao crescente número de menores, especialmente da América Central, que viajavam desacompanhados para o país. O governo americano montou abrigos de emergência em uma base militar em Oklahoma, na Base Aérea de Lackland, em Santo Antonio, no Texas, e na base naval Ventura, sul da Califórnia.

No atual governo republicano, estuda-se a possibilidade de usar três bases no Texas – a de Fort Bliss, do Exército, e as bases aéreas de Goodfellow e de Dyess. No Arkansas, a base aérea Little Rock também será avaliada, segundo o setor de comunicações do Pentágono e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. / W. POST, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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