EUA podem ampliar ação no Iraque na próxima semana

Enquanto as forças de segurança norte-americanas se preparam para realizar ataques aéreos na Síria, a primeira demonstração da campanha mais agressiva do presidente Barack Obama contra o Estado Islâmico deve se revelar já no começo da próxima semana, no Iraque, informaram autoridades nesta sexta-feira.

Estadão Conteúdo

12 de setembro de 2014 | 18h57

Na Síria, aeronaves dos Estados Unidos e drones darão início às operações de coleta de informações sobre alvos e ameaças à defesa aérea. Ao mesmo tempo, uma quantidade maior de alvos - talvez incluindo até líderes do Estado Islâmico - devem ser atacados no Iraque.

Mais soldados norte-americanos, além de aeronaves adicionais para coleta de informações, também devem chegar ao norte do Iraque na semana que vem. Isso permitirá a ampliação do esforço de monitoramento sobre a Síria.

Sem entrar em detalhes sobre as datas, o secretário de imprensa do Pentágono, contra-almirante John Kirby, disse que a campanha aérea no Iraque - que teve início no dia 8 de agosto - entrará em uma nova fase mais agressiva, projetada para explorar as fraquezas do Estado Islâmico, inclusive a falta de defesas efetivas contra os aviões de guerra norte-americanos.

"Nos próximos dias, nós teremos que ser mais agressivos e mudar o foco do que tem sido até hoje [uma estratégia] primeiramente defensiva por natureza para uma [estratégia] ofensiva por natureza", ele disse. Kirby sugeriu que essa nova fase poderá ter como alvos líderes do Estado Islâmico no Iraque. "Quando você está atrás de uma rede desse tipo, uma das coisas que você também quer destruir é sua habilidade de comandar e controlar e liderar suas forças", completou.

As aeronaves norte-americanas já lançaram 158 ataques no Iraque nas últimas cinco semanas. O objetivo não é destruir as forças do Estado Islâmico no país apenas com a força aérea, mas debilitar suas capacidades e limitar sua liberdade de movimento para que os soldados iraquianos possam retomar o controle do território perdido nos últimos meses.

A administração Obama tem tentando retratar a estratégia do presidente, detalhada em um depoimento à nação na quarta-feira, como mais do que uma campanha militar. O governo insiste que a diplomacia regional e internacional é tão importante quanto as ações militares e tem cuidadosamente tentado diferenciar este esforço daqueles empregados nas guerras no Iraque e no Afeganistão.

Questionado se os Estados Unidos estavam se envolvendo em uma nova guerra, o secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, argumentou que era o Estado Islâmico quem pedia uma guerra no mundo e que os EUA estavam liderando uma coalização para destruí-los. "O que você pode concluir disso é que os Estados Unidos está em guerra com o EIIL da mesma maneira que estamos em guerra com a Al-Qaeda", disse ele, usando um acrônimo para o grupo extremista.

Um dos principais elementos da estratégia de Obama envolve desenvolver uma força de oposição viável na Síria que possa não apenas explorar as oportunidades criadas pelos ataques aéreos norte-americanos, mas também avançar no esforço para derrubar o presidente Bashar Assad. O primeiro passo nessa direção é o plano do Pentágono para treinar e armar rebeldes sírios - um projeto que a Arábia Saudita concordou em receber no seu território.

Kirby informou que o Departamento de Segurança prevê o treinamento de mais de cinco mil rebeldes sírios na Arábia Saudita em 2015. Ele disse que seriam necessária "meses" antes desse esforço começar, em parte porque possíveis insurgentes precisam ser examinados antes para assegurar sua confiabilidade como parceiro dos EUA no país. Fonte: Associated Press.

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