EUA podem armar sunitas para ganhar aliados

Segundo NYT, estratégia pretende isolar Al-Qaeda e desagrada governo do Iraque

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

As forças americanas no Iraque decidiram fornecer armas, dinheiro, combustível e outras provisões a algumas das milícias sunitas até agora ligadas à insurgência, em uma tentativa de transformá-las em aliados, informa nesta segunda-feira, 11, o jornal The New York Times. Autoridades divulgaram ainda que três soldados americanos morreram. O Exército americano informou ainda nesta segunda que cinco soldados americanos morreram e outros sete foram feridos durante confrontos no final de semana. No domingo, pelo menos cinco pessoas morreram e 19 foram feridas em um bombardeio aéreo americano contra uma casa utilizada por supostos insurgentes na província de Diyala. A nova estratégia do governo americano, que pretende isolar a Al-Qaeda e reduzir as baixas americanas, gera mal-estar no governo iraquiano, dominado por xiitas, assinala o jornal nova-iorquino em uma reportagem de capa que se baseia em declarações de comandantes americanos no Iraque e de funcionários do governo do Iraque. A política de tentar vencer os sunitas com acordos em vez de combates já foi testada com sucesso na província de Anbar, ao oeste de Bagdá, que há pouco tempo era um reduto da insurgência. Agora se pretende aplicar "o modelo Anbar" em outras zonas sunitas do país, assegura o NYT. Oficiais americanos, cujos nomes não foram citados, disseram ao jornal que vários grupos sunitas romperam suas relações com a Al-Qaeda porque não agüentam mais sua tática de lançar atentados suicidas que custam as vidas de muitos civis, tanto sunitas como xiitas. Os comandantes de campo das forças americanas no Iraque se reuniram há vários dias em Bagdá com seu chefe, o general David Petraeus, e seu "número dois", o tenente-general Raymond Odierno, para concretizar e definir como negociar alianças com as milícias sunitas e entregar-lhes armamento. Segundo a publicação, esta nova política foi criticada por possibilitar que as milícias sunitas acabem usando as armas contra o Exército e a Polícia do Iraque, que estão nas mãos de xiitas, ou inclusive contra os próprios americanos. Mas um comandante que assistiu à reunião com Petraeus disse ao New York Times que os eventuais benefícios desta política frente à Al-Qaeda são tão importantes que o risco é válido. Outro oficial, o major-general Rick Lynch, contou no domingo a um grupo de jornalistas que os milicianos sunitas disseram aos militares americanos: "odiamos vocês por serem ocupantes, mas odiamos mais a Al-Qaeda, e os persas mais ainda". No entanto, ao mesmo tempo os milicianos sunitas conservam sua má opinião do governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, enquanto os líderes xiitas vêem com receio a possibilidade de os americanos estenderem suas mãos aos insurgentes sunitas. Um assessor político de Maliki, Sadiq al-Rikabi, comentou ao NYT que "o objetivo do Governo é desarmar e dissolver as milícias no Iraque". "Temos tantas milícias no Iraque que precisamos nos esforçar para solucionar o problema. Por que estão criando novas?", questionou.

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