EUA podem atacar Irã, diz revista

Os EUA intensificaram suas atividades clandestinas dentro do Irã como preparação para um possível ataque aéreo ao país, informou o jornalista Seymour M. Hersh em artigo ontem no site da revista americana New Yorker. Essa medida contradiz a estratégia adotada publicamente pela Casa Branca de empenhar-se em uma solução diplomática para impedir o Irã de desenvolver armas atômicas. Washington e Teerã também decidiram em março realizar conversações - ainda não iniciadas - sobre a crise no Iraque. Segundo Hersh, militares e funcionários do serviço de inteligência, tanto da ativa como reformados, disseram que grupos de planejamento da Força Aérea e equipes de combate entraram no Irã clandestinamente para recolher informações e estabelecer contato com grupos étnicos minoritários. Essas fontes afirmaram, de acordo com Hersh, que o presidente George W. Bush está determinado a negar ao regime islâmico iraniano a possibilidade de iniciar um programa piloto de enriquecimento de urânio, que deve começar neste semestre. Por enquanto, o Irã desenvolve pesquisas para enriquecer o urânio, oficialmente para uso em usinas nucleares com finalidade pacífica. No entanto, serviços de inteligência americanos e europeus e inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revelaram que o país ocultava instalações nucleares que poderiam ser usadas num programa paralelo de armas. A reportagem assinala que uma das opções estudadas seria o uso de uma arma nuclear tipo arrasa bunker contra estruturas nucleares iranianas subterrâneas, como a usina de Natanz, onde se desenvolvem pesquisas com urânio. Como o Irã se recusou a atender à exigência da AIEA de suspensão das pesquisas para enriquecimento de urânio, o caso foi levado à avaliação do Conselho de Segurança (CS) da ONU, que no mês passado pediu ao país que congelasse essas atividades. O Irã se nega a fazer isso, alegando que, como integrante da AIEA, tem o direito de desenvolver todas as etapas do ciclo nuclear para finalidade pacífica. Isso provocou um impasse no CS, já que Rússia e China querem que o caso seja tratado no âmbito da AIEA e se opõem a sanções contra o Irã. Tanto Rússia como China mantêm boas relações comerciais com o país e temem um novo conflito numa região já desestabilizada pela invasão do Iraque. Na quinta-feira, diplomatas americanos indicaram que EUA, França e Grã-Bretanha poderão adotar medidas à margem do CS, como sanções diplomáticas e restrições às exportações para o Irã. O governo iraniano, por sua vez, anunciou nos últimos dias o desenvolvimento de mísseis e torpedos, numa estratégia de mostrar-se capaz de enfrentar um ataque.

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