EUA podem buscar estratégia de diálogo com o Taleban, diz 'Guardian'

Jornal britânico cita fonte dizendo que a Casa Branca pode deixar militarismo de lado contra a insurgência

estadão.com.br

20 de julho de 2010 | 10h56

LONDRES - A Casa Branca está revendo sua estratégia no Afeganistão e considera a ideia de negociar com as lideranças do Taleban por meio de terceiros, uma política sobre à qual as autoridades sempre foram reticentes, informa nesta terça-feira, 20, o jornal britânico The Guardian.

 

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Segundo o jornal, o governo americano oficialmente segue resistente à estratégia lançada pelo presidente afegão, Hamid Karzai, de dialogar com os insurgentes, mas nos bastidores há quem apoie a iniciativa de Cabul em liderar as negociações.

 

"Há uma mudança de mentalidade em Washington. Não há solução militar. Isso significa que outros meios devem ser encontrados. Está faltando algo", disse uma fonte do governo americano que não se identificou ao Guardian, acrescentando que o que falta é o diálogo com as lideranças Taleban.

 

Autoridades cientes do assunto nos EUA, no Paquistão e no Afeganistão dizem que a revisão da estratégia americana para dialogar com o Taleban é possível. As negociações seriam conduzidas em segredo e por meio de vários contratos, com o possível envolvimento da Arábia Saudita e do Paquistão. "Vai ser muito confuso e pode levar anos", disse uma fonte diplomática.

 

Possíveis nomes citados pelas autoridades que poderiam ter um papel nas negociações com os insurgentes são o argelino Lakhdar Brahimi, antigo negociador da ONU que tem uma ONG direcionada à reconciliação junto do ex-embaixador americano Thomas Pickering. Outro nome cogitado é o de Michael Semple, irlandês da Universidade de Harvard, em Boston, que tem contatos com o Taleban.

 

Os EUA, porém, não teriam concordado ainda em quais líderes seriam chamados para negociar. O líder máximo do Taleban, Mullah Omar, é um dos pontos críticos da questão, já que ele teve papel fundamental nos atentados contra o World Trade Center em 11 de setembro de 2001 ao fornecer ajuda ao terrorista Osama bin Laden.

 

Outro problema seriam os insurgentes baseados no Paquistão, liderados por Sirajuddin Haqqani, cujos grupos iniciaram os ataques suicidas no Afeganistão. O terceiro principal elemento nas negociações seria Gulbuddin Hekmatyar, outro líder rebelde.

 

Os critérios estabelecidos pelos EUA para os grupos que quiserem negociar são o fim de todos os laços com a organização terrorista Al-Qaeda, o fim da violência e a aceitação da Constituição afegã.

 

O estabelecimento de tais precondições, porém, é considerado um erro para um diplomata paquistanês. "O governo afegão já está conversando com todos os agentes envolvidos - o Taleban, a rede de Haqqani, Omar. Já os americanos estão colocando critérios ridículos para as conversas. Você não pode estabelecer esse tipo de coisa quando está perdendo", disse.

 

O Taleban pede o fim da presença das tropas internacionais no país, que expulsaram o grupo insurgente do poder na ofensiva de 2001. Karzai anunciou o novo plano de reconciliação no início do ano, mas não houve indícios contundentes de que os rebeldes aceitariam as propostas.

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