EUA podem discutir com o Irã alternativas para a crise no Iraque

Secretário de Estado diz que cooperação militar não está descartada; Grã-Bretanha também conversa com Teerã

O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2014 | 10h12

BAGDÁ - Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha podem articular uma cooperação com o Irã para enfrentar a crise no Iraque, onde insurgentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) avançam e dominam cidades, deixando centenas de mortos.

Segundo o secretário de Estado americano, John Kerry, os EUA não descartam uma cooperação militar com o Irã. Na sexta-feira 13, Barack Obama descartou o envio de tropas americanas ao Iraque.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o ministro de Relações Exteriores William Hague conversou com o homólogo iraniano sobre as possibilidades para enfrentar a crise iraquiana.

A Grã-Bretanha ressaltou que não cogita a possibilidade de um envolvimento militar no Iraque, mas ofereceu ajuda humanitária e informações sobre contraterrorismo às autoridades iraquianas se necessário.

Nas últimas 24 horas, operações militares na capital Bagdá, realizadas para conter o avamço do Isil, deixaram 55 suspeitos de serem insurgentes mortos e 21 feridos, anunciaram as Forças Armadas do país nesta segunda-feira, 16. Segundo o porta-voz das Operações de Segurança de Bagdá, Saad Maan, na região de fronteira com Al Anbar 30 insurgentes morreram.

No domingo 15, os EUA pediram ao governo iraquiano para agir rapidamente em favor da reconciliação nacional e decidiram reforçar as medidas de segurança em sua embaixada em Bagdá.

Política. Republicanos e democratas diferem sobre o papel dos EUA na crise iraquiana. Alguns políticos acreditam que um ataque aéreo seria o mais efetivo para barrar o avanço dos insurgentes sunitas enquanto outros são contra uma intervenção em uma guerra civil sectária.

O senador republicano Lindsey Graham afirmou em entrevista à rede americana CNN que os EUA devem dialogar com o Irã para garantir que o país não faça uso do conflito sectário para estender sua influência no Iraque e considerou que "ignorar o Irã e não pedir que eles 'não se aproveitam desta situação' seria um erro".

Ryan Crocker, que foi embaixador no Iraque durante o governo de George Bush (2001-2009), defendeu uma solução diplomática, mas afirmou que apoiaria uma intervenção aérea "muito cuidadosa" acompanhada de um compromisso entre sunitas, xiitas e curdos.

A congressista democrata Tulsi Gabbard, veterana da Guerra do Iraque, disse estar preocupada com a possibilidade de um ataque aéreo para deter uma "guerra civil com raízes religiosas" e defendeu que os EUA ajudem no processo de diálogo entre a insurgência sunita e o governo dirigido pelo xiita Nouri al-Maliki.

O senador democrata Joe Manchin disse considerar ataques aéreos ou o uso de drones, mas insistiu na necessidade de verificar se a "informação é correta antes de começar"./ EFE e REUTERS

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