EUA podem lutar sem Grã-Bretanha, diz secretário

Num sinal de que as divergências entre os Estados Unidos e seu principal aliado, a Grã-Bretanha, podem ampliar-se nos próximos dias, o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, admitiu a possibilidade de seu país ir à guerra contra o Iraque sem os britânicos. "Essa é uma questão que o presidente (George W. Bush) poderia considerar nos próximos dias, podemos admitir. É um assunto que muitos altos funcionários discutem quase diariamente com a Grã-Bretanha", disse Rumsfeld, ao ser indagado sobre a eventual oposição do Parlamento britânico ao envolvimento no conflito. "Não está claro o que no final será decidido quanto ao papel deles. E, até que haja uma resolução, não saberemos que papel eles terão." O secretário afirmou que, se os britânicos não puderem sem envolver diretamente numa intervenção militar, tomariam parte na reconstrução do Iraque. As declarações causaram "choque" e "surpresa" no governo britânico, segundo a tevê BBC. A emissora informou que as linhas telefônicas entre a Casa Branca e Downing Street (a sede do governo londrino) "esquentaram". "Isso não muda nada", respondeu um porta-voz do primeiro-ministro Tony Blair. "Ainda estamos trabalhando para aprovar uma segunda resolução." Uma hora depois, Rumsfeld tentou esclarecer sua posição com um comunicado assinalando "não ter dúvida" do apoio integral da Grã-Bretanha nos esforços para desarmar o Iraque. A força propulsora de uma saída diplomática é Blair, acuado pela pressão da população - contrária à guerra sem o aval da ONU - e por uma rebelião em seu próprio partido, o Trabalhista. A ministra da Cooperação Internacional, Clare Short, ameaçou renunciar se ele agir sem o mandato do CS e deve ser seguida por outros no governo. Hoje mesmo, líderes sindicais trabalhistas anunciaram que retirarão seu apoio a Blair se ele fizer isso.

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