EUA podem reconquistar autoridade moral perdida

O avanço dos direitos humanos foi a pedra fundamental da política externa americana durante décadas, até os ataques de 11 de Setembro. Desde então, as práticas abusivas do nosso governo prejudicaram nossos esforços em prol da liberdade em muitas partes do mundo. O que se seguiu foi uma reação global contra ativistas da democracia e direitos humanos, sendo agora eles alvo de abusos.O avanço dos direitos humanos e da democracia é necessário para a estabilidade global e só pode ser obtido com os esforços de indivíduos que se levantam contra a opressão - empreitada que os EUA deveriam liderar, não impedir. Se os alertas iniciais emitidos por ativistas tivessem sido considerados, a violência assombrosa na Bósnia, em Ruanda, em Darfur e na República Democrática do Congo teria sido evitada. Esta semana marca o aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com um novo governo a caminho, teremos a oportunidade de restaurar nossa autoridade moral pela defesa dos direitos humanos. Mas os primeiros passos devem ser tomados em casa. O presidente eleito, Barack Obama, prometeu fechar Guantánamo e pôr um fim à tortura, coisas que podem ser feitas com uma ordem executiva de fechamento da prisão e uma maior ênfase nas proibições já existentes contra a tortura. Além disso, uma comissão bipartidária deve ser nomeada para analisar as práticas americanas relativas às prisões sem mandado, à tortura, à detenção secreta. O reconhecimento de que os EUA cometeram erros vai conferir credibilidade a nossa pretensão de nos tornarmos "uma união mais perfeita". Ao arrumar a própria casa, o país vai recuperar sua autoridade moral, necessária para diálogos bilaterais mais francos. Juntas, essas ações vão restaurar os princípios do nosso país e encorajar outros. Obama dispõe de uma oportunidade sem precedentes de, pelo exemplo, liderar, aqueles que buscam a liberdade. inspirando-os e apoiando-os, e sendo duro contra aqueles que pretendem impedir a marcha da liberdade, evitando que fiquem impunes. *Jimmy Carter foi o 39.º presidente dos EUA

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