EUA podem retirar do Equador isenção de impostos e ajuda

Ricardo Patiño, o chanceler do Equador, disse que o país levará meses para decidir sobre o pedido de asilo do ex-agente americano Edward Snowden. O Equador deve estar fazendo as contas. O programa dos Estados Unidos de isenção de impostos de importação sobre produtos equatorianos vence no mês que vem. Os EUA são o destino de mais da metade das exportações equatorianas e suas compras representam 13% do PIB do país.

CENÁRIO: Lourival SantAnna, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 02h04

A Lei de Promoção do Comércio Andino e Erradicação das Drogas, aprovada em 1991 no governo de George Bush pai, prevê o benefício alfandegário para os países que adotem programas de substituição de cultivos ilícitos: Colômbia, Peru e Equador. A Bolívia foi excluída em 2008, sob acusação de não combater o narcotráfico sob o governo do ex-líder cocaleiro Evo Morales.

O senador Robert Menendez, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, já disse que o convênio com o Equador, que vence no mês que vem, não será renovado, no caso da concessão de asilo político a Snowden: "Nosso governo não recompensará países por mau comportamento".

Os Estados Unidos importaram US$ 9,5 bilhões do Equador no ano passado. A maior parte desse montante - US$ 5,4 bilhões -, em petróleo, seguido de camarões, bananas, cacau e flores. Os EUA tinham, em 2011, um estoque de investimentos diretos de US$ 1,2 bilhão no Equador, ou quase 2% do PIB naquele ano. Os americanos são também tradicionais doadores ao Equador. Nos últimos cinco anos, essa ajuda somou US$ 144 milhões.

O presidente Rafael Correa qualificou as ameaças de "chantagem". No entanto, seu chanceler pediu aos EUA que apresentem seus argumentos contra Snowden. Desde que assumiu, em janeiro de 2007, Correa tem desafiado os americanos, que nunca levaram muito a sério essas provocações, desde que circunscritas à retórica, e não deixaram que elas afetassem as relações comerciais.

Snowden é outra história. Diferentemente do australiano Julian Assange, diretor do WikiLeaks, refugiado há um ano na Embaixada do Equador em Londres, ele é americano e trabalhou no serviço de inteligência dos EUA. Isso o coloca na condição de "traidor", a mesma do soldado Bradley Manning, que pode pegar 20 anos de prisão por ter entregado documentos confidenciais ao WikiLeaks.

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