EUA podem retirar mediação no Oriente Médio

Os persistentes choques entre israelenses e palestinos podem levar os Estados Unidos a arquivar sua fórmula para tentar restabelecer a paz entre as duas partes, disse nesta sexta-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher. Referindo-se às recomendações de uma comissão investigadora enviada pelos EUA à região, o porta-voz disse que "chegamos a um ponto no qual o relatório Mitchell, em vez de ser uma ponte entre a violência e as conversações de paz, como deveria ser, acaba sendo outra folha de papel no arquivo, se as duas partes não levarem o processo adiante". "Não há uma agenda para sustentar as negociações, mas eu acho que, seja qual for o status do relatório Mitchell, os Estados Unidos têm um forte interesse na paz. Temos um grande interesse em acabar com a violência", disse Boucher. O porta-voz afirmou que os EUA continuarão a trabalhar por esses objetivos sob qualquer circunstância. A comissão que preparou o relatório norte-americano é liderada pelo ex-senador George Mitchell. Com algumas reservas, suas sugestões foram aprovadas por Israel e pela Autoridade Palestina. Entre as recomendações, está a de uma trégua de seis semanas, que deveria ser acompanhada de medidas construtivas, como a suspensão tanto da construção de assentamentos judaicos, como da fabricação de armamentos em áreas sob controle palestino. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, já disse que não tem um "plano B" para substituir as recomendações da comissão, se estas não forem implementadas. Ao mesmo tempo, o subsecretário de Estado Richard Armitage disse que a administração Bush não está a par de nenhum plano israelense para lançar uma ofensiva contra Yasser Arafat e a Autoridade Palestina. Tais informações foram divulgadas nesta quinta-feira por uma rede de notícias, mas Armitage disse: "Não sabemos de nada" e "isto não nos preocupa seriamente".

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