EUA podem rever proibição para gays doarem sangue

EUA podem rever proibição para gays doarem sangue

Proibição perpétua para homens gays doarem sangue seria substituída por limitação apenas para aqueles que se relacionaram sexualmente com pessoas do mesmo sexo nos últimos 12 meses

O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2014 | 13h09

Washington, 24/12/2014 - A Administração de Alimentos e Medicamentos do governo dos Estados Unidos informou nesta terça-feira que vai recomendar o fim da proibição perpétua de gays e homens bissexuais doarem sangue. Essa política, que já existe há 31 anos, seria substituída por uma proibição para homens que fizeram sexo com outros homens nos últimos 12 meses. A proposta será apresentada formalmente no começo do ano que vem e depois será aberto um debate público, para só então o governo norte-americano anunciar uma decisão.

Muitos grupos médicos e ativistas gays dizem que a proibição perpétua para homossexuais masculinos doarem sangue não faz mais sentido, dados os avanços nos testes para identificação do HIV. A proposta de mudança, porém, não agradou todo mundo. "Alguns acreditam que esse é um avanço, mas na verdade exigir celibato de um ano é uma proibição perpétua de facto", comenta o grupo Gay Men''s Health Crisis, que trabalha na prevenção e tratamento da AIDS.

A proibição perpétua data dos anos iniciais da crise da AIDS e visava proteger o estoque de sangue de uma doença até então pouco compreendida. Atualmente muitos grupos, incluindo a Associação Médica Americana, dizem que essa política não tem mais respaldo científico. Países como Austrália, Japão, Reino Unido e muitos outros já mudaram para uma quarentena de um ano.

Outro fator que contribui para a decisão são estudos que mostram que os homens gays e bissexuais provavelmente cumpririam melhor a proibição de um ano, já que atualmente muitos mentem sobre sua preferência sexual nos questionários para poder doar sangue. Todas as doações são testadas para verificar a presença de HIV, mas isso não é totalmente seguro, pois o vírus só é detectado após estar na corrente sanguínea por cerca de dez dias.

Segundo dados do governo dos EUA, homens que fazem sexo com outros homens representam cerca de 2% da população, mas respondem por pelo menos 62% das novas infecções por HIV. A Cruz Vermelha americana estima que o risco de pegar AIDS por meio de uma transfusão de sangue é de uma em 1,5 milhão. Cerca de 15,7 milhões de doações são coletadas no país por ano. A mudança na proibição sobre os gays poderia aumentar o estoque de sangue de 2% a 4%, ao tornar mais 2 milhões de pessoas elegíveis para doação, de acordo com uma pesquisa da universidade UCLA. Fonte: Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
EUAgayssanguedoação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.