EUA poderão intervir no Iraque, diz Obama

Presidente diz queconsidera todas as opções para ajudar o governo xiita iraquiano a conter a ofensiva sunita

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2014 | 02h00

O presidente americano, Barack Obama, declarou ontem que considera todas as opções para auxiliar o governo do Iraque a reprimir a crescente insurgência radical sunita no território iraquiano. O conflito sectário tem se intensificado no país desde que os Estados Unidos puseram fim aos quase nove anos de ocupação, em dezembro de 2011.

"Não descarto nenhuma possibilidade", afirmou Obama, ao ser questionado sobre se estuda ordenar ataques de aviões não tripulados (drones) ou qualquer outro tipo de ação contra o movimento insurgente Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês).

O presidente - que falou à imprensa na Casa Branca, ao receber o premiê australiano, Tony Abbott - afirmou que os EUA têm interesse em garantir que os jihadistas não consolidem uma base no Iraque. Segundo Obama, ações militares são necessárias no país e a equipe de segurança nacional americana considera todas as opções.

Obama não especificou qual tipo de assistência pretende prover ao governo iraquiano, mas afirmou que os EUA estão preparados para uma ação militar para defender seus interesses de segurança nacional.

O vice-presidente americano, Joe Biden, conversou ontem pelo telefone com o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, sobre o aprofundamento da crise sectária no país. Biden expressou solidariedade ao líder xiita a respeito do conflito, mas nenhum outro detalhe da conversa foi divulgado. Biden tem servido como o principal representante dos EUA no Iraque e mantém estreitos laços com altos funcionários do governo iraquiano.

A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton qualificou o conflito no Iraque como uma "situação horrível e em deterioração". Ela afirmou estar surpresa com a capacidade do Isil de tomar cidades no território iraquiano.

Reféns. A Turquia iniciou ontem uma ofensiva diplomática para libertar seus 80 cidadãos que foram sequestrados em Mossul pelos insurgentes, após ter convocado, no dia anterior, uma reunião de emergência da Otan para tratar da crise iraquiana. O secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, declarou que a Otan não tem nenhuma função no conflito iraquiano. "Pedimos aos sequestradores que libertem os reféns imediatamente. Nada pode justificar esse ato criminoso", disse Rasmussen, acrescentando que a Otan acompanha "de perto" a situação no Iraque.

O Conselho de Segurança da ONU condenou o "terrorismo" no Iraque, garantindo que Bagdá não corre "risco imediato" de cair na mão dos insurgentes. / REUTERS e AP

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