EUA poderiam atacar sozinhos o Iraque

Poucas horas antes do início de uma reunião em Camp David entre o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, para estabelecer uma estratégia comum para um eventual ataque militar ao Iraque, o jornal The Washington Post informou neste sábado que os EUA vão reafirmar na ONU a possibilidade agirem sozinhos contra o regime de Saddam Hussein."O presidente Bush dirá em seu pronunciamendo do dia 12 para os líderes mundiais que, se não obtiver deles uma forte ação para desarmar o Iraque, os EUA serão forçados a atuar sozinhos", destacou o jornal, citando como fontes altos funcionários da Casa Branca.Em Camp David, residência de verão dos presidentes americanos, os dois líderes debatem neste fim de semana uma estratégia para impedir Saddam de continuar a produzir e usar armas de destruição em massa. Segundo assessores de Blair, a idéia básica é "construir uma coalizão internacional para um possível ataque militar ao território iraquiano".Ao embarcar na base britânica de Andrews, Blair disse que o programa militar iraquiano deve ser neutralizado "de um modo ou de outro". E, referindo-se ao encontro com Bush, acrescentou: "A única decisão adotada até agora é que não podemos não fazer nada".Segundo o jornal The Daily Telegraph, Blair tentará convencer Bush a mobilizar entre 20 mil e 50 mil soldados junto à fronteira iraquiana para forçar o Iraque a permitir inspeções em áreas suspeitas de conter fábricas de armas de destruição em massa e arsenais para abrigá-las.Esses contingentes seriam enviados à Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait e Turquia - países que têm fronteira com o Iraque. Ainda neste sábado, o embaixador iraquiano na ONU, Mohammad al-Duri, insistiu em que seu país não possui tais armas. Funcionários da Casa Branca ressalvaram que o encontro de Camp David não é um "conselho de guerra", mas insistiram: para o presidente Bush, a opção militar não pode ser afastada.Contudo, ainda de acordo com o Washington Post, Bush vai deixar a porta aberta para a possibilidade de uma nova rodada de inspeções internacionais de armamentos no Iraque em seu pronunciamento na ONU. A propósito, o líder da Liga Árabe, Amr Moussa, manifestou otimismo quanto à retomada das inspeções, referindo-se a recente reunião com as autoridades de Bagdá.No entanto, para o ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed Sahaf, os Estados Unidos não estão interessados na volta dos inspetores, mas sim em derrubar o regime político instaurado e liderado por Saddam. E estimou: "Eles (os EUA), seus filhos e netos mudarão, porém o regime iraquiano permanecerá".

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