EUA: ponto comum com Brasil é maior que divergência

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse hoje que os pontos em comum entre Brasil e Estados Unidos são maiores e mais fortes que as divergências entre os dois países. Ao participar da 29º Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-EUA (Cebeu) da Câmara Americana de Comércio (Amcham), na capital paulista, Shannon disse que as diferentes visões de Brasil e Estados Unidos sobre determinados temas tendem a aumentar na medida em que a nação latino-americana ganha força no cenário internacional.

ANNE WARTH, Agência Estado

07 de dezembro de 2010 | 12h52

"Na medida em que o Brasil ganha o mundo, de uma forma mais agressiva e dinâmica, Estados Unidos e Brasil vão se encontrar em posições diferentes em alguns assuntos, e alguns aspectos da relação vão precisar de ajustes", afirmou Shannon. O embaixador se referia ao reconhecimento do Brasil, formalizado na semana passada, sobre as fronteiras traçadas em 1967 do Estado Palestino, posição lamentada por Israel e vista com certa reticência pelos Estados Unidos. Shannon foi questionado ainda sobre a avaliação da nação norte-americana sobre a relação entre Brasil e Irã, criticada por ser conivente quanto às violações aos direitos humanos no País do Oriente Médio.

O embaixador foi indagado também sobre a expectativa em relação ao governo da presidente eleita Dilma Rousseff, que em entrevista ao jornal "Washington Post", publicada no último domingo, condenou a postura do Irã e revelou desconforto, como mulher, em relação à condenação por adultério e homicídio de Sakineh Ashtiani, pena que prevê no País morte por apedrejamento. Shannon evitou qualquer opinião mais direta em relação aos dois temas. Em sua resposta, ele sequer citou o nome de Dilma ou mesmo os países em questão.

"Não queremos que as diferenças superem os pontos em comum na relação entre Brasil e EUA", afirmou, para em seguida enfatizar a importância das relações comerciais entre os dois países. "Estamos focados na parceria comercial, que deve ser expandida. E da qual teremos benefícios econômicos e estratégicos", disse. O embaixador também foi questionado sobre o vazamento de documentos confidenciais da diplomacia norte-americana no site WikiLeaks, que criou desconforto inclusive no Brasil. "Não temos o que fazer por ora", falou Shannon, limitando as suas declarações sobre o assunto a essa frase.

O embaixador evitou a imprensa ao final do evento e não fez comentários sobre a prisão de Julian Assange, o criador do site WikiLeaks. Na manhã de hoje, o australiano se entregou às autoridades britânicas. Assange é acusado de estupro e assédio sexual pelas autoridades suecas.

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