EUA precisam de mais tropas e mais dinheiro no Iraque

Os EUA admitiram hoje que poderão necessitar de mais tropas no Iraque para combater a crescente violência rebelde e para isso precisarão de maisdinheiro para financiar a ocupação do país. O general Richard Myers, chefe do Estado-Maior conjunto americano, disse que prolongar a permanência de 20 mil militares que já estão no Iraque por outros três meses custará cerca deUS$ 700 milhões. Os funcionários de Defesa estudam seu orçamento a fim dedeterminar se alguns desses custos podem ser transferidos daconta do Pentágono, disse Myers hoje ao comitê dos serviçosarmados da Câmara de Representantes. O senador republicano Chuck Hagel, de Nebraska, declarou hojeà tevê NBC que as operações militares dos EUA no Iraquenecessitarão uma verba de entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhõesdurante o ano. Hagel disse que "é hora de o governo ser sincero"sobre as necessidades financeiras, para que a política deWashington obtenha apoio no Congresso. Ele acrescentou que areticência do Executivo pode ter como causa as eleições denovembro. Myers também disse que o general John Abizaid, comandante dasforças americanas no Iraque, está considerando o eventual enviode tropas adicionais. "Depende, em parte, da evolução dasituação em Faluja", disse Myers. "Caso se necessitem maistropas, já identificamos que unidades estão disponíveis." Altos funcionários da Defesa disseram que o Pentágono estácriando planos para enviar novas tropas rapidamente ao Iraquecaso decida que precisa manter 135 mil ou mais soldadosamericanos além de julho. Os planos de contingência do Pentágonopara o verão e o outono foram parcialmente guiados pela ausênciade envio de novas tropas estrangeiras e as inesperadasdificuldades para treinar as forças iraquianas. Ainda hoje, o general Martin Dempsey, comandante da 1ª DivisãoBlindada, em Bagdá, disse à Associated Press que um em cada dezmembros das forças de segurança iraquianas "trabalharam contra"as tropas dos EUA durante a recente onda de violência no Iraque.Ele acrescentou que 40% dos policiais deixaram o emprego paracausa de intimidação. Em um novo revés para os EUA, o presidente da RepúblicaDominicana, Hipólito Mejía, anunciou hoje a retirada "o maiscedo possível" dos 300 soldados dominicanos que se encontram noIraque. A Casa Branca lamentou a decisão de Honduras e RepúblicaDominicana de retirar suas tropas em um momento em que "osinimigos da liberdade tentam fazer descarrilar a transição paraa soberania". Honduras decidiu retirar seus 369 soldados doIraque na terça-feira após o novo governo da Espanha anunciar asaída de seus 1.432 militares no domingo. O primeiro-ministro polonês, Leszek Miller, indicou hoje que opaís poderia estar pensando em retirar seus cerca de 9 milsoldados do Iraque. Ele declarou que a Polônia - principalaliado dos EUA - "não pode fechar os olhos" à decisão daEspanha. Miller, que deixará o cargo no dia 2, disse quequalquer decisão será tomada por seu sucessor, Marek Belka. Ochanceler Wlodzimierz Cimoszewics insistiu mais tarde que aposição da Polônia não havia mudado. O senador Hagel também sugeriu que o retorno do alistamentocompulsório, abandonado no começo da década de 70, às ForçasArmadas para aliviar a pressão sobre as tropas dos EUAespalhadas pelo mundo. A Casa Branca reagiu dizendo que tal plano não está atualmenteem consideração.

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