EUA preferem diplomacia, mas admitem opções contra Coreia

Washington e aliados poderiam fortalecer antimísseis na região e outros passos defensivos contra Pyongyang

31 de maio de 2009 | 10h18

 

 

 

CINGAPURA - Os Estados Unidos e seus aliados asiáticos podem buscar respostas mais severas se as vias diplomáticas para conseguir que a Coreia do Norte abandone seu programa nuclear fracassarem, afirmaram neste fim de semana oficiais do governo americano reunidos em uma conferência de segurança em Cingapura. "As negociações de seis partes que estão em curso preferem a diplomacia", afirmou o secretário de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell, em referência as conversas até o momento estagnadas entre as Coreias, China, Rússia, Japão e EUA.

 

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No sábado, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou aos seus aliados, Coreia do Sul e Japão, que o caminho da diplomacia ainda é preferível, mas que a Casa Branca considera outras medidas se as negociações fracassarem. "Mas se as conversas de seis partes não produzirem os efeitos que buscamos, Gates também deixou claro que enquanto seguimos por esse caminho, devemos buscar outras opções (...) para melhorar a nossa defesa se isso for necessário", afirmou o funcionário em entrevista à Reuters.

 

Segundo Morrell, há dois caminhos que os EUA podem tomar: "um é o esforço diplomático com as negociações de seis partes e a ONU. O outro é que Japão, EUA e Coreia do Sul fortaleçam suas medidas contra a proliferação nuclear. Especificamente, isso poderia significar defesa antimísseis e outros passos defensivos contra a Coreia do Norte".

 

Já chegaram à base aérea de Okinawa, no Japão, quatro de um total de 12 caças F-22 (moderníssimas aeronaves de 5ª geração) que os Estados Unidos vão enviar ao país nas próximas semanas, informou a agência Kyodo News. Esses primeiros jatos chegaram à base norte-americana no Japão em meio à crescente tensão na Ásia provocada pelos recentes testes nucleares realizados pela Coreia do Norte, considerados graves ameaças à segurança da comunidade internacional.

 

Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, a chegada dos novos jatos ao Japão visaria a reforçar a presença dos Estados Unidos no Pacífico e não estaria diretamente ligada à recente escalada de tensão regional. Mas a ação tem ganho importância no atual cenário. Isso porque a Força Aérea dos Estados Unidos já planejava reforçar sua posição na base japonesa no Pacífico meses antes dos testes norte-coreanos.

 

Segurança sul-coreana

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, poderia assinar um compromisso sobre a permanência de seu "guarda-chuvas nuclear" sobre a Coreia do Sul durante a visita de seu colega sul-coreano a Washington, em meados de julho, informou neste domingo a agência sul-coreana Yonhap.

 

Segundo fontes do governo de Seul citadas pela Yonhap, pela primeira vez os Estados Unidos poderiam comprometer-se a proteger a Coreia do Sul com seu chamado "guarda-chuvas nuclear", algo que já acontecia de maneira tácita desde o fim da Guerra da Coreia em 1953.

 

Segundo fontes do escritório presidencial, ambos os líderes poderiam assinar um comunicado conjunto referido à proteção americano de seu aliado asiático mediante a dissuasão nuclear. No encontro entre o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e seu colega Barack Obama na Casa Branca, ambos falarão sobre a crise suscitada após o segundo teste nuclear da Coreia do Norte. A reunião vai acontecer no dia 16 de junho e nela os dois líderes discutirão medidas de resposta à Coreia do Norte pelo teste nuclear.

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